A crise e a resposta criar PDF versão para impressão
02-Jul-2009

Natasha NunesA propósito da crise económica, nos últimos dias, ouvimos Teixeira dos Santos dizer que se aproxima do fim e Ferreira Leite afirmar que se trata de um abalozinho. Estas declarações são bem elucidativas da forma desnorteada como PS e PSD lidaram, lidam e pelos vistos se preparam para continuar a lidar com a questão da crise.

Erram no diagnóstico da sua origem. A crise não sobreveio por acaso. A paulatina liberalização e desregulação do sector financeiro, âncora do tipo de capitalismo vigente, só poderia ter resultado que teve. PS e PSD, tendo subscrito e aplicado no país o programa do neoliberalismo, são co-responsáveis pelo seu falhanço.

Erram na apreciação da sua dimensão. A crise cá não é apenas conjuntural, é também estrutural. Logo, quando a crise internacional amansar, os portugueses não verão a retoma ao virar da esquina. A modernização conservadora que, durante as últimas décadas, PS e PSD defenderam e implementaram, em nada tem contribuído para que a competitividade do país se robustecesse. Pelo contrário, tem aprofundado desequilíbrios e desigualdades, reflexos de um país onde muito se trabalha e pouco se ganha. Ferreira Leite e Cavaco são tão culpados pela crise social quanto Guterres e Sócrates.

Erram na proposição da sua resolução. A crise não se resolverá com mais TGV ou com menos TGV. A apologia do investimento público que o PS diz que faz e o combate ao endividamento que o PSD diz que defende não representam solução imediata para os problemas do país. Os benefícios quer de uma política de grandes obras públicas quer de uma política de aprazimento fiscal às PME's só seriam colhidos no médio prazo. Urge uma resposta alternativa que sublinhe a proficuidade do investimento público de qualidade.

Uma esquerda responsável é aquela que entende que uma política de pleno emprego pode e deve ser promovida pelo Estado. Uma esquerda democrática é aquela que defende o fortalecimento dos serviços públicos pode e deve ser incentivada pelo Estado. Uma esquerda progressista é aquele que pugna por uma Europa que, superando os princípios depressores do PEC e afins, seja verdadeiramente assente em sólidos valores de solidariedade social. É porque são urgentes respostas que uma alternativa à esquerda do PS é hoje cada vez mais necessária.

Natasha Nunes

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