A emissão segue dentro de momentos criar PDF versão para impressão
09-Jul-2009

João Ricardo Vasconcelos Nos últimos dias, os acontecimentos na China despertaram a atenção do mundo. Em pouco tempo surgiram 400 mortos (segundo representantes da etnia muçulmana Uigur). Mais de 1400 pessoas foram presas. O estado de sítio foi declarado, o recolher obrigatório decretado e as manifestações proibidas. Destacou-se também a suspensão imediata de uma série de meios de comunicação. O trabalho da comunicação social foi rapidamente obstruído e meios como a Internet foram controlados, com destaque para perigosas redes sociais como o Twitter e o Facebook.

Nas Honduras, o cenário foi semelhante. Lado a lado com a repressão de quaisquer manifestações de apoio a Zelaya, os responsáveis pelo golpe trataram imediatamente de controlar os meios que pudessem transmitir informação para o exterior, com destaque mais uma vez para a Internet. No Irão, idem. A repressão violenta que é conhecida de todos foi acompanhada de um fortíssimo esforço para impedir a saída de informação do país. Ferramentas como o Twitter, por exemplo, demonstraram ser particularmente incómodas neste domínio.

Os ataques à informação livre por parte de regimes ou forças autoritárias não são novidades dos nossos dias. Mas é sabido que a instantaneidade com que a informação hoje se propaga assume um relevo crescente neste tipo de acontecimentos políticos. Se a isto aliarmos uma opinião pública internacional (ou como lhe quiserem chamar) algo desperta e cada vez mais ligada a redes sociais online onde a informação se dissemina de forma incontrolável, verificamos que existem aqui novas dinâmicas que não podem ser ignoradas.

Os acontecimentos recentes na China, nas Honduras e no Irão demonstram bem que o ataque à livre circulação de informação é cada vez mais a prioridade cimeira e incontornável de qualquer acontecimento anti-democrático que se preze. A bastonada tem agora de ser sempre acompanhada por uma ampla operação de "pedimos desculpa pelo incómodo, a emissão segue dentro de momentos".

João Ricardo Vasconcelos, autor do blogue Activismo de Sofá

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