Grupo Mello à beira de gerir mais um hospital criar PDF versão para impressão
27-Jul-2009
O governo retirou a gestão privada do Hospital Amadora Sintra ao Grupo Mello devido a gestão ruinosa mas agora vai entregar-lhe a gestão de dois novos hospitais. Foto da Lusa O consórcio liderado pela José de Mello Saúde vai ganhar a gestão do hospital de Vila Franca de Xira, depois de já ter conseguido o de Braga. Apesar da gestão ruinosa do Amadora-Sintra pelo Grupo Mello, reconhecida pela própria Ministra da Saúde e por José Sócrates, o governo continua a dar a gestão dos novos hospitais a privados.

O grupo liderado por Salvador de Mello está prestes a vencer o Grupo Português de Saúde na luta pela construção e gestão administrativa do novo hospital de Vila Franca durante 10 anos e trinta anos na sua manutenção. O consórcio liderado pela José de Mello Saúde está "muito bem encaminhado" para ganhar a gestão clínica do hospital de Vila Franca de Xira, segundo declarou à agência Lusa uma fonte ligada ao processo. A decisão do Governo não é ainda oficial porque faltam duas semanas para terminar o prazo em que os concorrentes podem levantar questões relativamente à adjudicação do contrato. Mas tudo aponta para que seja mais uma vez a José de Mello Saúde, holding do Grupo Mello na área da saúde, a ficar com a gestão do hospital.

A confirmar-se a adjudicação, a José de Mello Saúde ganha dois dos quatro hospitais que o Estado lançou em concurso para serem geridos por operadores privados (Braga e Vila Franca de Xira). Os outros dois foram ganhos pela Espírito Santo Saúde (Loures) e pela Hospitais Privados de Portugal (Cascais).

O programa inicial das parcerias previa o lançamento de dez concursos, compostos pela construção e gestão clínica dos hospitais, mas no ano passado o primeiro-ministro anunciou, no Parlamento, que os seis hospitais que ainda não tinham sido postos a concurso teriam apenas a componente da construção privada, e seriam geridos pelos profissionais do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

“A gestão privada nas unidades de saúde é extremamente lesiva para o interesse público. Assim nos prova a experiência”, disse Sócrates em Março de 2008, admitindo o fracasso da opção da gestão privada. “Há uma grande dificuldade em fazer os contratos, o Estado gasta uma fortuna para vigiar o seu cumprimento e nunca foi possível eliminar a controvérsia. Por isso, é melhor o SNS ter gestão pública", dizia o primeiro-ministro na altura. Apesar disso, manteve o concurso de gestão privada daqueles quatro hospitais e prepara-se para atribuir mais um ao Grupo Mello, apesar da reconhecida má gestão dos Mellos no Amadora-Sintra.

Recorde-se que a construção do Hospital de Braga, já atribuído ao Grupo Mello no ano passado, está a ser feita no âmbito de uma parceria público-privada com a José de Mello Saúde, que estará 10 anos à frente da gestão administrativa daquela unidade de saúde e 30 anos na sua manutenção. Na mesma semana em que terminou a gestão do Grupo Mello no Hospital Amadora-Sintra, depois de 13 anos de escândalos e má gestão, foi adjudicado o contrato que atribui a gestão do hospital de Braga à José de Mello Saúde. Agora tudo aponta para que o hospital de Vila Franca de Xira siga o mesmo caminho.

Hospital de Loures vai para o Grupo Espírito Santo

A Lusa adianta ainda que o hospital de Loures, o primeiro a ser lançado no modelo de parceria público-privada, vai ser construído e gerido pelo consórcio liderado pela Espírito Santo Saúde, revelou o presidente da Administração Regional de Saúde de Lisboa à agência Lusa.

O agrupamento Consis Loures é liderado pelo Grupo Espírito Santo Saúde e inclui as construtoras OPCA e Mota-Engil, a clínica alemã Asklepios e a empresa de manutenção Dalkia. Em declarações à agência Lusa, a líder do consórcio confirma a notificação e diz que o hospital de Loures "é extraordinariamente interessante porque será um dos hospitais centrais na requalificação da oferta hospitalar de Lisboa". Isabel Vaz sublinha a "grande satisfação de entrar no serviço público" e garante que o grupo está "ciente da responsabilidade".

A proposta final da Espírito Santo Saúde é 17 milhões de euros mais baixa que a da José de Mello Saúde, o que garantiu a liderança nas preferências do avaliador, já que o preço é o factor decisivo na avaliação.

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