Quem são os golpistas? criar PDF versão para impressão
13-Ago-2009
Empresários, políticos, donos de órgãos de comunicação social, generais e cardeaisEmpresários, políticos, donos de órgãos de comunicação social, generais e cardeais. Neste artigo o Esquerda.net junta muita informação sobre quem está por trás do golpe e inclusivamente a forma como exercem pressão junto do senado e do departamento de Estado dos EUA. Toda a informação encontra-se sustentada por cópias de documentos oficiais.  

Letícia Salomon, autora de um extenso artigo explicativo do golpe de Estado que pode ser lido aqui, explicou numa mesa redonda, com todo o detalhe, quem está por trás do golpe de Estado:

"Foi planeado por um grupo empresarial liderado por Carlos Roberto Facussé, ex-presidente das Honduras (1998-2002) e dono do jornal "La Tribuna", que juntamenta com "La Prensa", "El Heraldo", e os canais de TV 2, 3, 5 e 9 foram o pilar fundamental do golpe". O resto das famílias que apoiram o golpe e que controlam 90% da riqueza do país são: José Rafael Ferrari, Juan Canahuati, o financeiro Camilo Atala, o madeireiro José Lamas, o empresário energético Fredy Násser, Jacobo Kattán, o industrial do açúcar Guillermo Lippman e o construtor Rafael Flores."

Uma personagem fundamental nesta conspiração é também o magnata Miguel Facussé, condecorado em 2004 pelo Senado Colombiano com a Ordem do Mérito e da Democracia, que hoje monopoliza o negócio do óleo alimentar e que em 1992 apoiou a compra de terras aos camponeses por menos de 10% do seu valor real.

Segundo o jornal "El libertador", os golpistas reactivaram uma variante do aparelho que na década de 80 foi utilizado pela Aliança para o Progresso nas Honduras (APROH), que através de um disfarce empresarial, fazia "guerra de baixa intensidade a quem se opunha à repressão contra o governo sandinista". Hoje, tal como nessa altura, os golpistas utilizam "códigos de manipulação das massas", por exemplo: é legal sequestrar o Presidente porque é amigo de Cahvez, e Micheletti é bom porque odeia Fidel Castro, Daniel Ortega e Chavez

O jornal "El Libertador" compilou uma galeria dos golpistas bem como a lista de todas as empresas que de alguma forma são coniventes com o golpe, apelando aos consumidores hondurenhos e de todo o mundo para que não comprem os seus produtos.

Este jornal descobriu também a forma como estes empresários estão a influenciar o Senado dos EUA, consultando o "Lobbying and Disclosure Act", um registo desde 1995 de todas as acções de lobistas que estão reguladas por lei e que devem ser declaradas à Câmara de Representantes e ao Senado, com o objectivo de tornar mais transparente a sua acção, divulgando quem os contratou e quanto dinheiro receberam para fazer o seu trabalho.

A contratação dos lobistas foi feita através das empresas "Diario La Prensa", pelo Banco Ficohsa e pela Associação hondurenha de Maquiladores. São os principais financiadores de uma campanha junto do poder dos EUA para "consolidar a transição democrática nas Honduras", "informar sobre os factos relacionados com a deposição de Zelaya" e tratar temas como "as relações entre os EUA e as Honduras". Junto destes lobistas aparece também o Conselho Empresarial da América Latina.

As firmas contratadas em Washington pelos empresários golpistas hondurenhos são a Orrick, Herrington & Sutcliffe LLP, Vision Americas e a Cormac Group, a quem os empresários hondurenhos pagaram 28 mil dólares para que façam o seu trabalho de pressão junto do Departamento de Estado, do Conselho de Segurança Nacional, da Câmara dos Representantes e do Senado dos EUA. Por seu turno, estas firmas americanas designaram como lobistas Lanny Davis e Adam Goldberg, ambos conselheiros do ex presidente Bill Clinton, segundo os registos da Câmara Alta dos EUA. Vê aqui as provas.

Outra das figuras determinantes para consumar o golpe de Estado é o chefe do Estado Maior das Forças Armadas hondurenhas, Vásquez Velásquez, o homem que expulsou do país Manuel Zelaya. Vásques Velásquez chegou a ser preso em 1993 como cabecilha de um gang internacional de ladrões de carros conhecido por "Bando dos Treze". E hoje é acusado de ter ligações ao narcotráfico e à CIA.

Finalmente, uma última personagem incontornável neste golpe de Estado: o cardeal católico Óscar Andrés Rodríguez Maradiaga. Sublinha o "El Libertador" que o cardeal recebia do governo um salário de 5 mil e 300 dólares mensais sem desempenhar qualquer função no sector público. Ora, Manuel Zelaya acabou com essa oferta mensal ao Cardeal, o que ajudou a desencadear a ira da igreja católica das Honduras contra o presidente legítimo, e a transformá-la numa das mais acérrimas defensoras do golpe de Estado.

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