“Limpeza social” de homossexuais no Iraque criar PDF versão para impressão
17-Ago-2009
Serão centenas os homossecuais assassinados nos últimos anosHomossexuais iraquianos estão a ser torturados e mortos por milícias xiitas numa campanha sistemática que está a alastrar de Bagdad para várias outras cidades. De acordo com a Human Rights Watch há indícios da colaboração das forças de segurança nesta "limpeza social". "São cometidos crimes com impunidade, intencionalmente admoestadores, com corpos atirados para o lixo ou pendurados nas ruas como avisos", lê-se no documento.  

Os crimes começaram em Bagdade e alastraram por diversas outras cidades. Foram encontrados diversos cadáveres de homossexuais com a palavra 'pervertido' gravada no peito.

A campanha é em grande parte atribuída a extremistas xiitas que perseguem comportamentos considerados não-islâmicos, referindo-se também casos de espancamento e assassínio de mulheres por não taparem a cabeça e à colcoação de bombas em lojas de bebidas.

No relatório de 67 páginas intitulado "Eles queremo-nos exterminados: assassínio, tortura, orientação sexual e género no Iraque", a Humans Right Watch denuncia que os assassínios não só não foram investigados - estima-se que sejam da ordem das centenas e nunca foi encontrado nenhum culpado - como as forças de segurança já se juntaram aos criminosos.

Um iraquiano de 35 anos contou à Human Rights Watch que o seu companheiro de há dez anos tinha sido assassinado. Quatro homens armados tinham entrado na casa dos pais do companheiro. "Insultaram-no e levaram-no, em frente aos pais", disse. "Foi encontrado no bairro no dia a seguir. Tinha tirado o seu cadáver no lixo. Os órgãos genitais tinham sido cortados e um pedaço da garganta arrancado." O homem que contou a história à Human Rights Watch tinha saído da cidade onde os dois viviam, e estava com dificuldades em falar devido ao trauma.

Outra dos homossexuais ouvidos pela organização internaiconal, um jovem de 18 anos, conta que dois amigos seus foram assassinados. Dias mais tarde, alguém deixou um envelope com uma bala e uma nota: "Por que ainda estás aqui? Estás pronto para morrer?".

O sexo consensual entre dois homens adultos não é punido pela lei iraquiana. Algumas vítimas que conseguiram escapar fugiram para países onde os actos homossexuais são crime, como o Líbano ou o Egipto, onde mesmo assim se sentiram em maior segurança.

O relatório, em inglês, pode ser consultado aqui.

Leia também:

A homofobia no Iraque ocupado

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