Luís Fazenda: "Lisboa não quer maiorias absolutas" criar PDF versão para impressão
04-Out-2009
Luís Fazenda e Natasha Nunes no comício que juntou 400 pessoas no Teatro Villaret. Foto Ana Candeias No comício da candidatura do Bloco em Lisboa, Luís Fazenda alertou para a necessidade de impedir uma maioria absoluta "para que ao lado do Plano Verde não continue a crescer o plano do betão". E lembrou que o programa do PS deixou cair o compromisso de reservar 25% de habitação a custos controlados nas novas construções na cidade. Veja a fotogaleria de Ana Candeias. Consulte o site da candidatura.

 

"O programa de António Costa é omisso e falha em todos os compromissos que assumiu no acordo com o Bloco de Esquerda", afirmou Fazenda, dando como exemplos a revisão do PDM que não se fez ou a referida quota de habitação a custos controlados. "Vai continuar a segregação e o dualismo social" se for reforçada a actual maioria, disse o candidato aos cerca de 400 apoiantes presentes no teatro Villaret.

Num discurso em que estabeleceu as "marcas distintivas" do programa bloquista para Lisboa, Fazenda destacou ainda "o combate ao negocismo na cidade". "Não queremos um assalto à frente ribeirinha, de urbanização descontrolada para lucro dos grandes construtores", defendeu o candidato. A atitude face ao governo é outra das diferenças assinaladas, com Fazenda a criticar o negócio dos contentores com a Liscont e o desprezo a que a Sociedade Frente Tejo vota os órgãos do município.

O financiamento estatal de um programa de reabilitação urbana para Lisboa é outra das apostas do Bloco. "Não se pode continuar a reabilitar a cidade a prestações. Como em tempos houve o Programa Especial de Realojamento (PER), hoje precisamos de um grande programa de reabilitação", defendeu Luís Fazenda.

A participação cidadã foi o terceiro ponto distintivo desta candidatura. "Não é por que a nossa palavra de ordem é 'do lado dos cidadãos'", disse Fazenda, criticando ainda os apelos de António Costa à maioria absoluta, apoiado nas sondagens que dão uma larga vantagem ao PS sobre a candidatura da direita. "É escusado pedir a maioria absoluta aos lisboetas. O povo português ainda há uma semana disse que não quer maiorias absolutas", recordou Luís Fazenda, acrescentando que "António Costa pode pedir o voto útil, mas já perceberam que este não é para derrotar a candidatura de direita, mas para cimentar uma maioria absoluta". Da parte do Bloco, Fazenda deixou uma certeza para o futuro da vereação: "Faremos um programa à esquerda. Veremos quem nos acompanha."


O comício contou ainda com intervenções da segunda candidata à Câmara, Natasha Nunes, do mandatário Fernando Tordo, que criticou a bipolarização mediática da campanha e os apelos ao voto útil: "Serão úteis à Liscont para erguer uma nova cortina de ferro em Lisboa".

O eurodeputado Miguel Portas falou contra o medo duma vitória de Santana, lembrando as palavras dos que diziam o mesmo há quinze dias sobre Manuela Ferreira Leite e a passagem do candidato do PSD pela presidência do município. "Santana Lopes ia levando a Câmara à bancarrota. Sabemos que para endividar uma Câmara, qualquer um é capaz, mas para a levar à bancarrota é preciso muito jeito!", ironizou Miguel Portas que acusou António Costa de estar "a ficar com tiques de Sócrates", a propósito dos apelos à maioria absoluta. "Assim não vai longe", previu o eurodeputado bloquista.

No encerramento do comício, Francisco Louçã fez o apelo ao voto contra "a política dos subterfúgios, em que as palavras já não querem dizer nada". Deu os exemplos da carta que António Costa mandou aos trabalhadores camarários, em que chamava de "impulso remuneratório" a reposição de parte do salário perdido em termos reais nos últimos anos. O "fim da recessão técnica" anunciado por Sócrates no momento em que todas as previsões apontam para o crescimento do desemprego em 2010 e o "reajustamento dos nossos trabalhadores" promovido pela empresa Tyco, que recebeu 25 milhões do Estado, despediu 110 trabalhadores e voltou a admiti-los como trabalhadores temporários.

"Os subterfúgios são uma forma violentíssima de governar a economia", avisou Louçã, aproveitando para recuperar as propostas do imposto sobre as grandes fortunas para financiar o aumento das pensões mais baixas e do plano de reabilitação urbana, que permite criar emprego no imediato.

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