“Câmara de Lisboa não pode ser um notário do Governo”, diz Francisco Louçã criar PDF versão para impressão
06-Out-2009
O Bloco tem andado na rua em constante contacto com as populações (Carregueira/foto Paulete Matos) “A opção em Lisboa não é entre um PSD desvairado e um PS ajudante do governo” disse Francisco Louçã esta segunda-feira em Queluz. Para o coordenador do Bloco, “tem de haver uma esquerda que lhes faça frente” e que não se submeta aos interesses económicos. "Não é possível que a câmara seja um notário do Governo", disse Louçã.

Discursando em Queluz num jantar/comício de apoio à candidatura autárquica em Sintra, o coordenador do Bloco, Francisco Louçã, apontou o contrato celebrado entre o Estado e a Lusoponte como um caso que coloca em causa “a democracia” e a “seriedade da coisa pública” e considerou que Pedro Santana Lopes é “um candidato desvairado”.

“Quando o TGV anda na campanha do PSD é a prova de que o PSD está perdido, percebe-se isso com Ferreira Leite e agora vem Pedro Santana Lopes recuperar o mesmo, só que Santana Lopes é uma Manuela Ferreira Leite ao contrário - ela quer o aeroporto em Alcochete, ele não quer o aeroporto em Alcochete, ela não quer o TGV mas ele quer o TGV”, afirmou Francisco Louçã, perante as gargalhadas dos cerca de 200 apoiantes presentes no jantar.

Continuando com um tom irónico, o coordenador do Bloco referiu-se às palavras de hoje de Santana Lopes, para nova ‘farpa’: “Ele acha que Manuela Ferreira Leite ainda é um bom piloto para aquela nave que é o PSD, eu não sei se ela vai ser piloto ou não do avião, o que sei é que de certeza é que Pedro Santana Lopes não é comissário de bordo, porque em todas as questões essenciais ele diz o contrário”.

Em seguida, Francisco Louçã virou ‘agulhas’ para o candidato do PS à liderança da capital, sublinhando que “é preciso que o interesse das populações seja o que orienta a decisão política”.

“Para o doutor António Costa, tudo o que o Governo do seu partido decide na frente ribeirinha está certo, no terminal dos contentores de Alcântara certo está, na terceira travessia do Tejo assim há de ficar e todas as propostas que o Governo lhe apresenta serão carimbadas pela Câmara de Lisboa. Ora não é possível que a câmara seja um notário do Governo”, criticou.

Num dia marcado pela discussão sobre obras públicas, Louçã referiu o caso da terceira travessia para exigir às câmaras municipais que saibam “fazer face a um Governo que as queira submeter ao predomínio dos interesses económicos”.

“Se vai ser construída uma terceira travessia sobre o Tejo, pois saibam que tem de ser com a Lusoponte (…) qualquer ponte que se construa a montante da ponte 25 de Abril é da Lusoponte. E com quem é que o Estado vai negociar o preço da nova travessia que o ministro Joaquim Ferreira do Amaral garantiu para a Lusoponte? Com o chefe da Lusoponte que é o ex-ministro Joaquim Ferreira do Amaral”, referiu, aludindo ao contrato celebrado durante o governo do antigo ministro do PSD, que agora preside a essa mesma empresa.

“Percebe-se bem porque é que temos de nos proteger dos interesses económicos, mas aqui já não é só uma questão de economia, é de democracia, de seriedade da coisa pública”, acrescentou.

Neste sentido, Louçã considerou que “é por isto que a opção em Lisboa não é entre Pedro Santana Lopes e António Costa, não é entre um PSD desvairado e um PS ajudante do Governo” mas a “de uma esquerda que saiba fazer-lhes frente, que saiba trazer o interesse estratégico da cidade, condicionar as obras públicas, as regras de decência e transparência”.

“Essa grande diferença é o que o Bloco de Esquerda tem de fazer”, concluiu.

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