Novas privatizações são erro estratégico e grotesco, diz Louçã criar PDF versão para impressão
07-Out-2009
Louçã, Serafim Duarte e Catarina Martins no comício. Foto de Paulete MatosFrancisco Louçã considerou esta terça-feira a privatização da TAP e dos aeroportos "um erro estratégico e grotesco". O coordenador do Bloco de Esquerda falava no auditório do Instituto Português da Juventude de Coimbra, num comício da candidatura autárquica local. "Já tínhamos denunciado durante a campanha que o PS tinha uma agenda secreta de privatizações. Pois não menos de dez dias depois das eleições, ei-la que aparece".


Para Louçã, uma esquerda de confiança como o Bloco de Esquerda é necessária porque o PS não é de confiança. E exemplificou: "Foram hoje revelados os números dos contratos por ajuste directo feitos pelo governo de José Sócrates e são impressionantes. De 26 de Junho até agora, do fim do mandato do Governo e no período do Governo de gestão, fizeram-se 4023 contratos, 66 em concurso e todos os outros, 3957, em ajuste directo", referiu Francisco Louçã, acentuando: "180 por dia, 180! Dez por hora se as repartições funcionassem acima do seu horário normal". O governo, explicou, aproveitou a "manigância que foi uma alteração à lei feita pela maioria absolutíssima do PS, que determinava que agora, excepcionalmente, já se pode fazer o ajuste directo de um contrato até cinco milhões de euros, limite que antes era impensável".

E concluiu: "Eles não são de confiança, e é por isso que é preciso uma esquerda de confiança, a gestão pública tem de obedecer a regras, ser transparente".

Para o coordenador bloquista, PS, PSD e CDS-PP fazem uma política de "vale tudo" na campanha para as eleições autárquicas, mostrando o desespero diante da possibilidade de perderem as suas maiorias absolutas. Exemplos não faltam: um autarca do PS do norte do país que oferece "salpicões" e "sapatos" aos eleitores; um outro que promete "dentista gratuito para quem precisar, quando o seu partido recusou que o atendimento para a saúde oral fosse integrado no Serviço Nacional de Saúde"; Valentim Loureiro, que distribui bilhetes para Tony Carreira, mas não fica a perder a António Capucho, "que organiza pela câmara um festival de atletismo para jovens e para crianças que afinal é uma prova de demonstração da campanha do PSD".

António Costa também não escapou das críticas de Louçã, que recordou que o candidato do PS à Câmara de Lisboa organizou um passeio de bicicleta e no fim da prova decidiu oferecer uma bicicleta a todos os que se tinham juntado à sua iniciativa. "E eu fiquei a pensar, António Costa há tempos organizou uma corrida entre um burro, um Porsche e uma bicicleta, ainda bem que a bicicleta ganhou. Imaginem que ganhava o burro", ironizou, diante da gargalhada geral.

Antes, Catarina Martins, cabeça-de-lista à Câmara Municipal, denunciara que os dois locais de Coimbra não vão entrevistar os candidatos do Bloco de Esquerda, ouvindo-se gritos de "asfixia!" da plateia. "O argumento deles é curioso: eles dizem que só têm espaço para os partidos que já faziam parte do executivo municipal, e para as candidaturas independentes polémicas (em Coimbra há uma candidatura de dissidentes do PSD).

Para a candidata bloquista, "eles não querem ouvir a voz de denúncia do Bloco", mas também a voz do partido que "tem a ousadia de com uma cidade às avessas, uma cidade em que o poder local possa ser uma garantia de qualidade dos serviços públicos, onde cada um, venha de onde vier, tenha o seu lugar."

Serafim Duarte, deputado municipal e cabeça-de-lista à Assembleia Municipal, destacou que o crescimento do Bloco está a incomodar muita gente e observou que uma das principais acusações é que o Bloco é muito radical. "É verdade, temos de assumir, somos radicais", disse. E exemplificou: "Somos radicais na denúncia dos atentados ao património histórico e cultural... Somos radicais na defesa do ambiente e das condições de vida das pessoas. E não deveríamos ser?", questionou.

O comício foi aberto pelo recém-eleito deputado do Bloco por Coimbra, José Manuel Pureza, que denunciou o "poder profundo que permanece intocado na rotação entre o PS e o PSD que governa a cidade." São sempre os mesmos interesses económicos, os mesmos promotores imobiliários que prevalecem, disse Pureza: "Eles rodam, mas são sempre os mesmos".

Para o deputado eleito, o Bloco de Esquerda foi a única força na Assembleia Municipal "que enfrentou este poder profundo". Ressaltando a mudança que significou a eleição doo primeiro deputado bloquista por Coimbra em 27 de Setembro, José Manuel Pureza disse que "agora é o momento de completar essa mudança, elegendo representantes nas assembleias de freguesia, elegendo mais deputados municipais e vereadores para o executivo municipal."

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