Die Linke rejeita "integração europeia elitista" criar PDF versão para impressão
08-Out-2009
O líder do Die Linke participou no Socialismo 2007, a convite do Bloco de Esquerda. Foto Paulete MatosO líder do Die Linke esteve num encontro do GUE/NGL - o grupo parlamentar do Bloco de Esquerda no Parlamento Europeu - sobre os parlamentos nacionais depois do Tratado de Lisboa. Miguel Portas também interveio sobre a utilização do Tratado a favor dos cidadãos, através da figura da petição e dos poderes acrescidos dos parlamentos nacionais.

 

O interesse em Bruxelas foi grande para ouvir Gregor Gysi, um dos principais nomes do partido Die Linke. Actor importante no fim do regime da Alemanha de Leste, Gysi foi o convidado principal do encontro "Towards a more democratic EU integration process - The participatory role of national parliaments", organizado pelo GUE/NGL a 7 de Outubro.

Mais ainda, a óptima votação que Die Linke teve nas recentes eleições germânicas - 10,9% (um aumento de 54 para 76 deputados) - era motivo de celebração naquele encontro. Os parabéns multiplicaram-se, e não apenas para Die Linke: convidados e membros da Esquerda Unitária congratularam também a vitória histórica do Bloco de Esquerda nas eleições legislativas portuguesas - a duplicação de deputados para 16 e um resultado acima dos 550 mil votos.

Gysi, advogado de formação, entrou para o Sozialistische Einheitspartei Deutschlands (SED) em 1967. Durante os anos 70 e 80 defendeu vários dissidentes emblemáticos. Em 1989 discursou a favor de reformas e eleições livres e conduziu a passagem do SED para a democracia, mais tarde chamado Partido do Socialismo Democrático e do qual foi presidente entre 1990 e 2001 (a fusão em 2007 com o Arbeit und soziale Gerechtigkeit – Die Wahlalternative deu origem a Die Linke, ao qual preside). 
 
Os parlamentos nacionais e o Tratado de Lisboa
Gregory Gysi já tinha dito em Junho, quando o Tribunal Constitucional Alemão aprovou o Tratado de Lisboa sob condição (e entretanto ratificado), que o que os juízes fizeram foi "re-interpretar" o documento e "trazer a Europa para o Bundestag". No encontro organizado pelo GUE/NGL, o representante do Die Linke explicou que o seu partido mantém-se contra o Tratado, mas que não está contra a integração europeia: "Aliás, a esquerda nunca deve ser contra a integração. Deve, sim, ser contra uma integração europeia elitista".

No mesmo encontro, Miguel Portas, perante a iminência do Tratado, afirmou que, mais importante que discutir o grau de federalismo, fundamental é saber se haverá mais ou menos democracia na Europa. E, principalmente, começar a usar o Tratado a favor das pessoas. "A luta passará a ser feita num novo quadro jurídico e para isso teremos de usar dois novos instrumentos que passam a estar ao nosso dipor", disse. "O primeiro é a figura de petição. Devemos começar a discutir as possibilidades de campanhas que possam recorrer a esta figura. O outro são os poderes acrescidos dos parlamentos nacionais. A partir de agora os parlamentos vão confrontar-se com os problemas europeus numa óptica de análise de subsidariedade das directivas, o que resultará numa melhor atribuição entre gestos parlamentares."
 
Visões escandinavas e desagrado irlandês

O encontro trouxe também Francis Wurtz, ex-presidente do GUE/NGL, que classificou o Tratado de Lisboa como uma "vitória de Pirro". Membros de parlamentos escandinavos - Frank Aaen (Dinamarca), Jacob Johnson (Suécia) e Unto Valpas (Finlândia) - explicaram como as respectivas assembleias discutem em sessão as questões europeias, muito antes da implementação do Tratado.

Já Mary-Lou McDonald, ex-deputada europeia irlandesa, foi veemente na sua posição anti-federalista e condenou o recente "sim" ao Tratado no referendo na Irlanda: "Desta vez nem sequer se falou no Tratado - disse-se apenas que sem ele, não havia emprego para ninguém. Isso é enganar as pessoas". No final do encontro, Andreas Fisahn, da universidade alemã de Biefeld, voltou ao tema do Tribunal Constitucional Alemão e realçou este ter determinado que "a soberania nacional só pode ser transferida para a Europa em condições excepcionais, precisamente para evitar o que aconteceu na Alemanha em 1933".

 
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