Jovens e precários são vulneráveis à pobreza criar PDF versão para impressão
21-Out-2009
Jovens à procura de primeiro emprego são vulneráveis à pobrezaOs jovens à procura do primeiro emprego e os trabalhadores precários ou com baixos salários são vistos como os novos grupos vulneráveis à pobreza em Portugal, segundo os resultados preliminares de um inquérito sobre "Percepções da pobreza em Portugal". O estudo mostra ainda que os portugueses consideram que a pobreza está a aumentar, e mostram-se pessimistas e com baixas expectativas quanto à capacidade de recuperação.

O estudo foi realizado pela Amnistia Internacional Portugal, a Rede Europeia Anti-pobreza e o Centro de Investigação em Sociologia Económica e das Organizações do ISEG, a partir de uma amostra representativa de 1350 pessoas com 18 anos ou mais e de 19 freguesias seleccionadas aleatoriamente em cada região de Portugal.

Oitenta e três por cento dos entrevistados consideram que há hoje novos grupos vulneráveis à pobreza, com destaque para os jovens à procura do primeiro emprego.

O estudo mostra que 77% dos portugueses têm pouca ou nenhuma esperança na recuperação da pobreza, 75% afirmam que a situação tem piorado nos últimos cinco anos e 50% acreditam que esta condição vai piorar.

No ponto sobre a intensidade e extensão da pobreza, a percepção dos inquiridos fica aquém da realidade estatística, dado que 59% afirmam que a percentagem de pobres está entre os 10% e os 40%.

O combate à pobreza passa, segundo os portugueses ouvidos, pela criação de emprego e por investimentos políticos em áreas como a saúde, a educação e a formação profissional.

Para a Amnistia Internacional Portugal e a Rede Europeia Anti-pobreza, este estudo indica claramente que é fundamental intervir no domínio da opinião pública e sobre as suas percepções.

"Não podemos esquecer que os conceitos de pobreza e de exclusão social são construídos e delimitados pelo mundo dos que se julgam incluídos. É aqui que é preciso, prioritariamente, actuar, não esquecendo, os 'velhos pobres'", afirmam.

As duas organizações defendem que é necessário criar uma cultura social que assuma a sua co-responsabilidade, que entenda que a exclusão é uma consequência dos modelos e das práticas escolhidas e que não é inevitável.

Defendem também uma mobilização e participação de todos os actores, em particular dos que enfrentam a pobreza, um fenómeno que atinge mais de 79 milhões de pessoas na União Europeia, entre as quais cerca de dois milhões de portugueses.

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