PCP não votou resolução contra Berlusconi criar PDF versão para impressão
22-Out-2009
Ausência dos comunistas portugueses e gregos salva Berlusconi da condenação em Estrasburgo. Foto Rogimmi/FlickrA proposta que condenava as pressões do governo Berlusconi sobre os meios de comunicação italianos e internacionais foi chumbada por três votos no Parlamento Europeu. Os dois eurodeputados do PCP e outros dois do PC grego não votaram nela, apesar do GUE/NGL subscrever a moção. Ilda Figueiredo justificou o não voto com um "problema técnico" nas máquinas.

 

A ausência dos votos dos deputados do PCP somada à de dois deputados do PC grego foi determinante para o chumbo da proposta, impedindo que Parlamento Europeu adoptasse uma posição firme contra a intimidação do governo italiano aos media independentes.

A proposta da esquerda foi subscrita por socialistas, verdes e pelo GUE/NGL, bancada onde se sentam os dois eleitos do PCP e os três do Bloco. Ela condenava a concentração dos media italianos nas mãos do primeiro-ministro Berlusconi e propunha mesmo à UE uma directiva que proteja o pluralismo dos media no espaço europeu. Rui Tavares foi um dos subscritores desta moção conjunta.

O eurodeputado independente eleito pelo Bloco usou a plataforma twitter para dizer que "após ver o resultado, Ilda Figueiredo explicou-me que um 'problema técnico' tinha tomado conta da máquina dela e de João Ferreira".

Uma situação que não foi corrigida junto da Mesa do plenário, como é habitual em caso de avaria e que também não convenceu Rui Tavares: "Aceito a explicação, mas são duas máquinas situadas a vários metros uma da outra, as únicas que falharam em toda a esquerda, e logo ao mesmo tempo".

Curiosamente, os eurodeputados do PCP chegaram a divulgar uma declaração de voto favorável à proposta que não votaram, e onde dizem discordar de alguns dos seus aspectos, porque "raiam a ingerência na vida democrática de cada país".

"Os dois deputados participaram na votação de mais de vinte propostas de alteração ao texto do PE, mas imagine-se que quando chegou o momento de votar a resolução política no seu conjunto, não conseguiram", refere no seu blogue a correspondente do Público em Bruxelas, Isabel Arriaga e Cunha.

Num dia de votações dominado pela liberdade de imprensa em Itália, a direita do Parlamento Europeu viu também chumbada uma moção em que defendia não existir quaisquer atropelos à liberdade de imprensa. O mesmo destino foi dado a muitas emendas propostas à moção da esquerda, que procuraram desviar de Berlusconi o foco das atenções, entre as quais a que referia o caso da TVI em Portugal.
Veja aqui o sentido de voto de cada um dos 736 eurodeputados .

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