Vieira da Silva – O lado esquerdo que entrou em estado de coma criar PDF versão para impressão
27-Jul-2009

Mariana AivecaVieira da Silva será o cabeça de lista do PS por Setúbal ás legislativas de Setembro e, com ele uma significativa parte da a equipa que liderou durante quatro anos e meio o Ministério do Trabalho e Segurança Social.

José Sócrates decidiu a escolha e, como se de uma espécie de PIN se tratasse, determinou mais esta agressão à margem sul.

Vieira da Silva sempre carregou consigo a fama de um homem de esquerda.

Ele era da oposição mas passou a ser do poder!

Ele criou algumas esperanças numa mudança, mas o que mudou foi para pior!

Ele deu a cara pela esquerda mas agora afastou a esquerda da cara!

Ele falava de socialismo, mas deixou-o bem fechado numa gaveta!

Ele dizia defender o trabalho, mas depois trabalhou para o capital!

Ele dissera que não podia ser assim, mas passou a dizer que só pode ser assim!

Sócrates determinou a redução do Estado social ao "estado mínimo" e leis laborais que favorecessem distintos empresários.

Vieira da Silva foi o actor principal, cumprindo escrupulosamente esse papel. O seu lado esquerdo entrou definitivamente em estado de coma.

Subiu a idade de reforma porque, era preciso tirar o jantar aos pensionistas em nome da defesa do almoço, era preciso fazer campanha contra os privilegiados para ter mãos livres para atacar todos, era preciso "culpar" os desempregados pela sua condição para esquecer as políticas do desemprego, era preciso aprofundar o código Bagão para responder ao capital; era preciso que crianças pudessem trabalhar no domicílio mesmo antes da idade legal.

É verdade que tal candidato, não podendo ser dispensado do PS pelos serviços prestados, haveria de ser posto à porta de alguém, mas, aqui, em terras onde as bandeiras negras da fome já foram hasteadas bastas vezes, onde a indústria foi espezinhada para em seu lugar surgirem empreendimentos imobiliários;

Aqui onde se luta contra um código do trabalho que é a marca da regressão social, onde os arsenalistas voltaram a "Pisar a Relva"demonstrando que não aceitam a desonra de serem deitados borda fora ao fim de uma vida inteira de trabalho;

Aqui onde a exclusão atravessa bairros inteiros de crianças que nunca souberam que o eram, e os idosos sobrevivem ás dívidas nas farmácias que a reforma não cobre;

Aqui, em terras de Zeca Afonso, onde a Tróia deixou de ser do povo, e a Arrábida esmorece ao som da fábrica que a consome;

As gentes deste distrito não merecem tanta provocação, saberão, tenho a certeza levantar-se contra ela.

Aqui, ano 2009, mês de Setembro, dia 27. Estamos todos/as convocados votamos contra!

Mariana Aiveca.

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