Festival Temps D'Images quer “interpelar a sociedade” criar PDF versão para impressão
22-Out-2009
Espectáculo de Michel Schweizer critica a manipulação e sociedade de consumo Duas dezenas de projectos, cujo traço comum é a reflexão e a interpelação da sociedade, vão ser apresentados em 12 espaços culturais de Lisboa durante a sétima edição do Festival Temps D´Images, que começa a 29 de Outubro. O festival inclui instalações vídeo, música, cinema, fotografia, dança, teatro, colóquios, workshops e muitos cruzamentos entre as artes.

A programação do certame, que cruza várias linguagens artísticas, foi apresentada esta quinta-feira, em Lisboa, pelo director, António Câmara Manuel, e por programadores dos espaços associados, como Gil Mendo (Culturgest), Luísa Taveira (Centro Cultural de Belém), Mark Deputter (Teatro Maria Matos), Pedro Lapa (Museu do Chiado), Teresa Garcia (Cinemateca) e Rajele Jain, responsável pelo Prémio de Cinema para Filmes sobre Arte.

António Câmara Manuel destacou que nesta edição haverá mais instalações de vídeo, e a novidade de um dos prémios para cinema ser atribuído pelo público, através de votação em filmes que serão exibidos pela RTP2.

Dos cerca de vinte projectos previstos, metade são estreias de novas criações nacionais, numa programação que conta com artistas como o criador de vídeo Jasper Just, o músico Steve Reich, o fotógrafo David Claerbout, a cantora Marta Mateus e a cineasta Raquel Freire.

Os projectos têm este ano, como sublinhou a organização, um traço em comum: "Uma marcada disposição interrogativa" que "provoca reflexão e interpela a sociedade".

Essa interpelação é visível, por exemplo, no espectáculo de Lúcia Sigalho, intitulado "E a Mulher Teve Morte Quase Imediata", que será apresentado entre 14 e 17 de Novembro na sala principal do Teatro Maria Matos.

Com dramaturgia, pesquisa e textos de Lúcia Sigalho, Fernanda Câncio e Mafalda Ivo Cruz, a peça é baseada na história verídica, passada em Portugal, de uma mulher que foi assassinada com o filho ao colo, à entrada do infantário, pelo ex-marido, um polícia.

"No meu país, todas as semanas morre, pelo menos, uma. Todas as semanas há uma mulher morta por um homem que é, foi ou pretendia ser seu namorado, marido ou amante", comenta Lúcia Sigalho num texto sobre o espectáculo.

Outro projecto - de crítica à sociedade de consumo, manipulação e uniformização - foi concebido por Michel Schweizer, intitula-se "Bleib opus #3" (a palavra alemã "bleib" significa "quieto" em português) e será apresentado a 21 e 22 de Novembro também no Teatro Maria Matos.

Teresa Garcia, responsável pela programação de cinema, destacou na conferência de imprensa que o ciclo este ano dedicado ao teatro, "não irá apresentar filmes sobre o teatro, mas sobre a teatralidade, a relação com o texto e a fronteira entre quem vê teatro e quem representa", explicou.

Fundado em França pelo canal ARTE e La Ferme du Buisson, o certame é co-produzido em Portugal pela DuplaCena e pelo Centro Cultural de Belém (CCB), realizando-se há sete anos com o apoio de diversos parceiros nacionais e internacionais.

São também parceiros do certame, que decorre até 22 de Novembro, o Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, o Museu Colecção Berardo, a associação Alkantara e Vipulamati: Ample Intelligence.

O festival - cuja programação completa pode ser encontrada aqui decorrerá ainda no Mar Adentro Café, na Negócio/ZDB, Eira33 e #24-Rentagallery.

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