Responsabilidades no IPS precisam-se! criar PDF versão para impressão
10-Ago-2009

Bruno MaiaA recente polémica das declarações do Dr. Gabriel Olim, presidente do IPS ao jornal "i" está, convenientemente, a ser silenciada pelo Ministério da Saúde e pelo Partido Socialista. A história da discriminação dos homossexuais na doação de sangue em Portugal tem anos - inicialmente assumida como necessária por governos do PS e PSD e nos últimos tempos escondida pela vergonha do PS, quando o mundo já percebeu que este é um critério ridículo, homofóbico e incorrecto.

Há uns anos o PS substituiu o antigo presidente do IPS, homem com uma longa história de discursos desenquadrados. Pouco tempo depois, já com o Ministério sob a tutela de Correia de Campos anunciou o fim desta discriminação e a revisão completa dos critérios de selecção. Logo a seguir ficámos a conhecer um sem número de cidadãos homossexuais que continuavam a ser impedidos de doar sangue. Há poucos meses, o Bloco apresentou um projecto de resolução que recomendava ao Governo terminar com este critério discriminatório - o PS chumbou-o alegando que esse critério não existia. Vejam-se agora as declarações de Olim e o silêncio do PS...

O Partido Socialista é esta "coisa estranha" na democracia Portuguesa. Diz que é favor do casamento entre pessoas do mesmo sexo mas vota contra, para logo a seguir o incluir no programa de governo. Recusa aprovar projectos para acabar com a discriminação no sangue por ela não existir e depois cala-se quando o próprio presidente assume o critério homofóbico. Não há clareza em nada que o PS assuma, uma no cravo e outra na ferradura.

É altura de se assumirem as responsabilidades. Gabriel Olim tem que ser demitido de imediato, não tem nem capacidade técnica nem sentido democrático para exercer tal cargo público. A Ministra da Saúde tem que rever os critérios na selecção de dadores, sendo médico tem também um dever clínico de se actualizar e promover as boas práticas no sector da saúde. O PS tem que se decidir - ou defende a igualdade e o fim da discriminação em todas as áreas da vida e em todas as instituições ou estará a promover a homofobia - esta posição eleitoralista de agradar a gregos e a troianos não é mais sustentável, porque em última análise ela promove sempre o estado actual das coisas!

Bruno Maia

{easycomments}

 
< Artigo anterior   Artigo seguinte >
© 2019 Esquerda.Net
Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.