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12-Ago-2009

Natasha NunesSurgiu, nos últimos dias, a notícia de que o número de desempregados sem qualquer subsídio de desemprego está a crescer ao dobro da subida do desemprego. As estatísticas divulgadas confirmam não apenas a tendência da escalada vertiginosa do desemprego, indicam também a subida impetuosa tanto dos desempregados de longa duração quanto dos desempregados jovens. Quando se estimam em quase 30% os desempregados já sem qualquer tipo de subsídio, é evidente a dimensão da crise social que o país vive.

A culpa não morrerá solteira nas próximas eleições. Os portugueses sabem que quem tem governado nos últimos anos não tem resposta para a questão do aumento do desemprego e do crescimento da pobreza. O PSD ainda não lançou uma ideia, promete arremessar um programa minimal e diminuto em Setembro. O PS disponibilizou um texto que promete Avançar Portugal em que diz que quer um Pacto para o Emprego disposto a combater a precariedade laboral. Os portugueses sabem que os Códigos de Trabalho Bagão Félix e Vieira da Silva vêm precisamente dos governos liderados pelo PSD e pelo PS. Parte do problema em torno deste aumento desenfreado do desemprego sem protecção social advém precisamente dessa legislação do trabalho que provoca, por exemplo, a espiral dos recibos verdes e dificulta o emprego estável, com período suficiente de desconto para assegurar o acesso ao subsídio de desemprego. O problema do país não é só o desemprego, é também a inexistência de políticas sociais operativas que atenuem o efeito desolador que o desemprego provoca na vida tantas famílias.

A responsabilidade da esquerda à esquerda do PS é, hoje mais do nunca, não apenas aquela da denúncia do fracasso que a maioria absoluta de Sócrates tem vindo a ser, mas também a da apresentação de propostas exemplificativas de que, à esquerda, existem opções de governação viáveis para além do PS. Por isso mesmo, o Bloco de Esquerda, no seu programa eleitoral, disponível na Internet desde há meses, propõe medidas como a extensão do prazo de concessão e o aumento do valor do subsídio de desemprego; a convergência das pensões, ao final de 40 anos de trabalho e sem penalizações, com o salário mínimo e o aumento imediato do salário mínimo para os 600 euros; o alargamento dos critérios de atribuição do rendimento social de inserção, entre outros. Proposições alternativas que, longe do cinzentismo rotativista PSD - PS, desafiam o país a inovar no rumo e a virar à esquerda.

Natasha Nunes

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