Suíça, um Estado pária? criar PDF versão para impressão
18-Ago-2009

Renato SoeiroUm complicado imbróglio jurídico opõe os Estados Unidos da América à Suíça, por via de um contencioso com o banco UBS, por onde dezenas de milhares de americanos ricos movimentam fortunas em evasão fiscal. O IRS dos EUA detectou fugas maciças de capitais para offshores geridos pelos suíços. Em tribunal, o UBS foi intimado a fornecer informação sobre esses movimentos.

Mas o governo suíço opôs-se e chegou a ameaçar o UBS de represálias se este obedecesse ao Tribunal americano e se dispusesse a entregar às autoridades fiscais os dados dos clientes sob investigação. Mencionou mesmo a hipótese de fazer uma apreensão forçada desses dados do banco para evitar a sua entrega.

O UBS tem hoje mais funcionários na América do que na própria Suíça e a acção de milhares de angariadores de fundos foi considerada hostil e mesmo ilegal pelas autoridades dos EUA. Este caso está a ter enormes repercussões. Os outros bancos que fazem operações offshore, e que encaravam os milionários americanos como clientes dos mais desejáveis, estão com receio do que possa ser a nova política dos EUA e estão a evitar este tipo de negócios naquele país.

A Suíça vive da lavagem de dinheiro sujo de todo o mundo (incluindo Portugal, como se sabe). A importância deste negócio, e do segredo bancário que o permite, é de tal ordem que leva o próprio Estado suíço a intervir para defender a fuga ao fisco dos depositantes estrangeiros. O que faz da civilizada e rica Suíça um Estado pária na cena financeira internacional, parceiro complementar e indispensável dos outros Estados párias, que todos condenam por permitirem ou praticarem o tráfico de droga, de armas ou de pessoas.

Este caso está a mostrar também que não é impossível as autoridades fiscais e judiciais actuarem com sucesso contra a fraude em grande escala. Basta uma real determinação, muita vontade e coragem. Que é o que tem faltado. Lá fora como cá dentro.

Renato Soeiro, texto publicado em: O Gaiense, 15 de Agosto de 2009, também disponível em renatosoeiro.blogspot.com

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