A matriz reaccionária criar PDF versão para impressão
25-Ago-2009

João Teixeira LopesCavaco Silva vetou a nova lei das uniões de facto. Imagino José Manuel Fernandes e João Carlos Espada a rejubilarem do alto dos seus «valores» e da sua «moral». Na verdade, nada surpreende neste veto. Cavaco é duplamente conservador: na economia e nas questões sociais. E não hesita em impor, mesmo nas matérias mais íntimas e pessoais, a sua visão particular do mundo.

A pobreza, para o Presidente, resolve-se com caridade, responsabilidade social das empresas e quermesses. Façam os ricos festas e festanças, diz Ferreira Leite, herdeira do mesmo património ideológico. Cavaco assinará por baixo. Mas não se fale de redistribuição sistemática e estrutural da riqueza...

Paridade, longe dele. Investigação em células estaminais, idem. Legalização do aborto foi pecado. Na raiz destas atitudes mora um Portugal católico, interior e rural. Um país onde a mulher, ainda que instruída, jamais poderá trocar de papéis sociais com o homem; um país onde a Família é prescritiva e não associativa; um país onde a orientação sexual hegemónica é a heterossexualidade normativa. Um país onde as uniões de facto são encaradas como sub-casamentos, opção que deve castigar os companheir@s que se juntaram por não terem preferido o sacrossanto casamento católico. Por isso, que sofram na pele a perda da casa comum onde viviam, por ocasião de morte de um/a deles/as. Que sofram as penúrias da falta de meios de sobrevivência.

Este é o Portugal de Cavaco. Felizmente, em desaparecimento mas ainda a merecer combate. O que nos obriga, desde já, a juntar forças por uma alternativa presidencial quando a questão se colocar.

João Teixeira Lopes

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