Reflexão sobre a Autoeuropa, no presente e no futuro criar PDF versão para impressão
02-Set-2009

António ChoraNo final de Janeiro deste ano, a empresa dispensou o serviço de 254 trabalhadores de agências de trabalho temporário. Foi possível depois de varias reuniões com a empresa e de contactos com o Governo encontrar uma solução de certa forma inovadora, que levou estes trabalhadores à formação e a um compromisso da Empresa de, no final da formação, (que coincidirá muito provavelmente com o lançamento do sucessor da actual Sharan) serem admitidos..

Com o agravar da crise, no final do primeiro trimestre, a empresa volta à carga e convocou a CT para preparar um pré-acordo, que prevenisse o despedimento de 250 trabalhadores contratados, a possibilidade de lay-off e a fixação de todos a um turno com a retirada do respectivo subsídio.

A CT e a maioria que a sustenta fez o que lhe competia, negociar para garantir o afastamento do lay off, manter os turnos, o respectivo subsídio e principalmente garantir que não haveria despedimentos.

Realizaram-se plenários gerais de trabalhadores para auscultação dos mesmos e recolha de ideias que levassem a uma solução negociada, solução que tivesse o menor impacto possível nos bolsos dos trabalhadores no que diz respeito, ao seu salário, mas com implicações reconheço, no trabalho extraordinário e apenas:

1º- Para períodos de lançamento ou picos de encomendas

2º Num máximo de 2 Sábados em 2009 e de 6 Sábados em cada um dos dois anos seguintes.

O pagamento destes Sábados, seriam, recordo, para os trabalhadores com saldos negativos, de 8 horas em dinheiro e de 6 a abater nos saldos negativos na conta de tempo de cada um.

Quanto mais depressa a conta estivesse saldada, mais depressa receberiam os 22 Down Days (22 dias) ano a que têm direito.

Para os que tinham saldos positivos ou nulos, 8 horas em dinheiro e 6 a acumular e a receber caso não tivessem utilizado os Down Days.

Este pré-acordo, como era de esperar, não foi pacifico no mundo sindical, nem nas vanguardas do costume, o que teve influencia nas discussões em plenário, chegando ao ponto de dramatizações.

Alegaram alguns que o acordo não era bom, não era mau, mas tinha um problema, a obrigatoriedade (dentro dos limites da lei) de trabalhar nesses Sábados. Ou seja "eu quero fazer um acordo com uma pessoa, quero que essa pessoa cumpra a sua parte do acordo, (no caso não despedir manter os turnos, etc.) mas da minha parte não quero ser obrigado a cumpri-lo. Como sonho, é óptimo, mas infelizmente não vivemos no país dos sonhos, vivemos num regime capitalista, onde só empresas saudáveis e lucrativas mantêm ou criam empregos.

Podemos, como é o meu caso e o de milhares de trabalhadores e de cidad@os, querer outro tipo de regime, um regime onde a distribuição seja mais justa, a justiça funcione e o acesso à mesma seja gratuito, os corruptos sejam fortemente condenados, os bens essenciais cheguem a todos, o trabalho seja mesmo um direito, as reformas permitam viver com dignidade, todas as formas de liberdade sejam respeitadas e incentivadas e a democracia seja um facto, esse, é um regime Socialista, mas mesmo nesse e para que tudo isto seja possível, é necessário que as empresas sejam lucrativas, pois só com os impostos sobre os seus lucros se pode garantir o bem estar da população em geral.

Mas voltando ao que interessa, ao pré-acordo na Autoeuropa, o mesmo foi sujeito ao voto secreto, teve uma exemplar participação e rejeitado por 51% dos trabalhadores.

De imediato, a CT reuniu com a Administração para relembrar que os trabalhadores desta empresa, fruto de tudo o que têm dado à mesma, mereciam um compasso de espera para ver se haveria melhorias económicas a nível mundial. A nossa argumentação foi a de que fossem salvaguardados em primeiro lugar os postos de trabalho dos 250 trabalhadores a contrato, em segundo lugar os turnos e o respectivo subsídio, tal argumentação vingou, tendo a Administração no entanto anunciado 10 dias de lay-off para todos, o que corresponderia a cerca de 4,6% de perda do rendimento de um ano de salário, o que equivaleria a que num mês, cada trabalhador tivesse recebido menos 46% do salário.

Recordou a CT que não era por este motivo que levariam o mesmo acordo a votos.

Ganhou-se tempo e as compras de carros novos começaram a subir ligeiramente, em minha opinião, muito fruto da antecipação de compras para aproveitamento dos subsídios dos governos europeus, que variam entre os 1.500€ e os 3.000€, nos Estado Unidos são de 4.500 dólares (3.150€), a que se estão a juntar descontos dos concessionários e das marcas, estes subsídios são para abate de carros com mais de 8 anos e têm uma função económica mas também ecológica.

A verdade, é que fruto disso já estão afastados para parte dos trabalhadores da empresa, a totalidade dos 10 dias de lay-off e para a esmagadora maioria, 4 desses dias.

Agora, compete à CT e tudo faremos para isso, afastar os restantes 6 dias de lay-off.

Neste preciso momento já se procede mesmo a algum trabalho extraordinário, por enquanto ainda não fruto apenas de um aumento de encomendas, mas principalmente da recuperação de produção perdida devido a alterações técnicas feitas durante as férias nas linhas de montagem.

Podem alguns dizer, tinha razão a maioria que chumbou o acordo, pessoalmente não penso assim, pois se o actual aumento de encomendas for fruto do anúncio do fim dos subsídios no final deste ano, o primeiro semestre do próximo pode ser muito complicado, visto que as mais de 14 semanas que vão entre o fim da produção da actual Sharan e o início da produção do sucessor e a possível quebra de compras na Europa de carros novos fruto da antecipação dos consumidores, são um somatório de factos, que podem obrigar à necessidade de ser encontrada uma solução, que de uma vez por todas, afaste a redução de trabalhadores e ou a perda de salários fruto dos lay-offs.

Em meu entender a maioria que suporta a actual CT lá estará, com os trabalhadores na primeira fila, na procura dessas soluções, não temos que inventar nada, apenas adaptá-las, pois elas existem em todas as fábricas da VW no mundo e foram frutos de acordos feitos em momentos difíceis mas com bons resultados no que diz respeito a garantias de emprego.

Mas também a VW e o Governo, seja ele qual for, a exemplo do que foi feito noutros países, têm que rapidamente encontrar para esta empresa um carro de produção em massa, pois só isto garantirá a manutenção da empresa para além do final da vida dos actuais modelos de nicho (EOS e SCIROCCO).

Antonio Chora

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