Quem decide assim o nosso destino? criar PDF versão para impressão
05-Out-2009

José SoeiroRecrutados numa garagem em Matosinhos (a Autobrito), sem contrato que não seja uma combinação de boca, passam recibos verdes a uma empresa chamada Edutec, sediada em Lisboa. A Edutec, que faz este negócio chorudo com algumas autarquias, fica com uma parte do dinheiro dos nossos impostos que é transferido pelo Estado para contratar estes professores. Descontando o que têm de pagar à Segurança Social, os professores ganham cerca de 300 euros por mês, ou menos. Pagam as fotocópias e todos os materiais de que precisarem. Pagam os seus transportes. Se disserem que não aceitam, logo lhes disparam a chantagem: "tenho uma lista de gente que quer...". Porque não podem dar a cara, criaram um e-mail de onde fazem a denúncia desta situação. Começaram agora mesmo a assegurar o ano lectivo.

O caso destes 150 jovens trabalhadores é mais um exemplo chocante do que acontece no nosso país e do destino a que querem condenar-nos. É a imposição violenta de relações de trabalho sem contratos e sujeitas a toda a arbitrariedade. É a criação de uma verdadeira "geração low cost", barata, descartável e sem direitos.

Mas quem decide assim o nosso destino? Para quem trabalha esta gente? Quem é o responsável por este desrespeito profundo pela suas vidas?

A resposta é simples: o Bloco Central. O Governo, pelo lado do Ministério da Educação, das leis do trabalho que escolheu e pelo modelo das AECs que estabeleceu. E Rui Rio, o paradigma autárquico do PSD, que contrata uma empresa cujo negócio se faz à custa desta exploração sem limites.

No Porto, confrontam-se vários projectos para a autarquia. Do que a campanha e os debates têm mostrado, Rio mantém a arrogância, o desprezo pelos pobres, pela cultura e pelo património da cidade. Elisa Ferreira, a estrela do PS e de Sócrates para a cidade, joga na ambiguidade e é incapaz de se comprometer com políticas claras sobre matérias tão importantes como a habitação ou a manutenção do Palácio de Cristal como equipamento público e dos seus jardins como espaço dos cidadãos. Qualquer um deles manterá esta situação de feudalismo laboral no que diz respeito a estes 150 professores, porque foram os partidos e os projectos que representam que fizeram conscientemente essa escolha.

Mas há um outro dado sobre o debate político no Porto. O Bloco de Esquerda, com a eleição do João Teixeira Lopes, pode ter o seu primeiro vereador na cidade e, com isso, retirar a maioria absoluta a Rui Rio. Será o dado mais importante para quem quer que haja na Câmara alguém sem hesitações no que diz respeito à necessidade de um Rivoli devolvido à cidade, de um Palácio que seja do povo e alguém firmemente comprometido com a justiça social e com a dignidade no trabalho. É a batalha que vale a pena - e que vai fazer toda a diferença nas nossas vidas.

José Soeiro

{easycomments}

 
< Artigo anterior   Artigo seguinte >
© 2019 Esquerda.Net
Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.