Clichés e Lugares Comuns criar PDF versão para impressão
16-Out-2009

João Ricardo VasconcelosA noite do passado domingo não foi muito animadora. O Bloco não é um partido que esteja habituado a manter e muito menos a perder o que quer que seja. Assim sendo, mesmo as subidas que de facto aconteceram a nível global souberam a pouco dados os resultados obtidos nomeadamente em Lisboa e no Porto. Para quem está habituado a ganhar, o passado dia 11 deixou um amargo na boca.

O cenário não era fácil e muitas das razões apontadas para este resultado são de senso comum: a bipolarização e o apelo ao voto útil foram fortíssimos em muitos concelhos e freguesias; o Bloco é um partido recente e é natural que ainda se esteja a desenvolver a nível autárquico; a proximidade tão grande com as legislativas acabou surpreendentemente por ser negativa para o partido, existindo dificuldade em adaptar a mensagem ao meio autárquico e a associar rostos conhecidos da opinião pública com os objectivos a nível local. Apesar de ter mais uma vez demonstrado um notável dinamismo, a (pequena) máquina partidária estava naturalmente exausta depois de umas legislativas muito quentes.

Mas, como é sabido, o que há de positivo nos momentos menos bons é precisamente aprendermos com eles. É um lugar comum. Um cliché foleiro, bem sei. Mas que se calhar vale a pena ser recordado nestes momentos. Para ser provocador, diria mais até: num partido que está muito habituado a ganhar, se calhar é bom que surjam momentos em que tal não acontece. Resta transformar o facto numa oportunidade, reflectindo internamente sobre o que está bem, o que está menos bem, o que precisa de ser melhorado. No fundo, tentar ganhar não tendo ganho, como diriam os Gato Fedorento.

E o actual momento político é dos melhores para que a referida reflexão interna possa suceder. Apesar desta ser uma legislatura que se adivinha difícil, os próximos actos eleitorais ainda estão distantes. É uma boa altura para o Bloco conseguir despender um pouco de tempo consigo, alinhando estratégias e traçando caminhos futuros.

João Ricardo Vasconcelos, Politólogo, gestor de projectos e autor do blogue Activismo de Sofá

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