O combate sobre as diferentes visões para a cidade criar PDF versão para impressão
20-Out-2009

Moisés FerreiraRui Rio voltou a vencer no Porto e o Bloco não conseguiu alcançar os seus objectivos: eleger um vereador, contribuindo para a perda da maioria absoluta da Direita. Ainda assim, o BE cresceu no Porto e elegeu mais deputados municipais e mais representantes nas assembleias de Freguesia.

É com esta força e energia redobrada que o BE se deve lançar num combate regular e intenso durante os próximos anos, confrontando as diferenças de visão e de pensamento para a cidade que separam a maioria PSD-CDS do Bloco de Esquerda.

Desmontar o discurso de Rui Rio, arrancando-o da capa do populismo, deve ser objectivo do Bloco e dos seus eleitos, de forma a conseguirmos intensificar a discussão e o debate sobre as estratégias para a cidade.

Rui Rio revelou, vezes sem conta, qual a base do seu pensamento para a cidade do Porto: é terciária e neoliberal. Para o actual Presidente da Câmara do Porto, uma cidade não é onde as pessoas dormem, é sim onde as pessoas fazem a sua vida de trabalho ou onde recorrem para aceder a serviços. Esta visão explica muito da política de Rio: o abandono do edificado; a incapacidade na reabilitação e na rehabitação; a perda de dezenas de milhares de pessoas; as políticas anti-sociais levadas a cabo contra moradores dos bairros sociais (cortes de água, aumento de rendas, despejos em catadupa); a recusa em tomar medidas para combater a crise social. Tudo isto porque para Rui Rio a cidade é a cidade dos serviços e não das pessoas. A sua prioridade são os serviços (hotéis em detrimento dos mercados; centros de congressos em detrimento de jardins) e não os problemas reais das pessoas.

O neoliberalismo é também linha orientadora da política do Executivo da Câmara do Porto... Rui Rio não reabilitou edificado no Porto nem deu nova habitação pública à cidade. Durante a campanha agarrou-se aos prédios recuperados (não por dinheiros públicos) na praça Carlos Alberto cujos preços rondam 200.000, 250.000, 300.000€. Isto não é promoção da rehabitação! A justificação de Rio: "é preciso deixar o mercado funcionar". A mesma justificação que dá quando se fala do desemprego no Porto. A Câmara não tem nenhuma intervenção e acha que o problema deve ser resolvido pelo mercado.

Desmontar este discurso e deixar a nu a visão que a Direita tem para a cidade do Porto é condição essencial para uma futura derrota da Direita. Neste combate devemos sedimentar e contrapor a nossa visão para a cidade: que passa mais pelas pessoas e menos pelos serviços; que passa mais pela intervenção da Câmara nos problemas económicos e sociais e não pela demissão a favor do mercado.

Moisés Ferreira

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