Braga não mudou criar PDF versão para impressão
20-Out-2009

João Delgado Algumas opiniões circulantes na ciber-esfera têm apontado o caso de Braga como emblemático da incapacidade do Bloco de Esquerda perceber a política local e convergir no essencial.

Querem com isto dizer que, por acção ou omissão, o Bloco deveria ter "facilitado" a substituição de Mesquita Machado (MM) por Ricardo Rio, líder da coligação PSD/PP/PPM.

Analisados os resultados das autárquicas no concelho, fica claro que uma razoável percentagem de eleitores que têm apoiado o BE optou por participar na escolha do presidente da Câmara, votando na coligação de direita para destronar Mesquita Machado, ou no PS para impedir a vitória da direita... O mesmo sucedeu com o eleitorado da CDU.

Face a estes dados, reconheço de forma clara a derrota da estratégia de campanha que protagonizei, ao não ter conseguido passar a mensagem "a esquerda vota na esquerda e elege um vereador". Mas não posso também deixar de convidar à reflexão todos esses eleitores de esquerda que, com o seu voto para escolher o presidente, contribuíram objectivamente para a continuação da maioria absoluta e prepotente de Mesquita Machado, bem como para a diminuição da representação do Bloco na Assembleia Municipal, num efeito negativo de contaminação do voto para a Câmara.

É agora tempo do BE encetar em Braga uma profunda reflexão sobre as causas e consequências destes maus resultados e começar a preparar o futuro.

O que não é tempo, certamente, é de lamentos ou de antever convergências do BE com a direita, para substituir políticas de direita do PS.

No país, em Braga, em qualquer outro concelho, o Bloco tem de participar em alternativas de governo de Esquerda (a maiúscula não é acidental), e não no jogo aritmético, oportunista e inconsequente do alterne das maiorias do centrão.

Mesmo que isso nos custe (custou e possivelmente custará no futuro) dissabores na contagem dos votos.

O nosso tempo e modo é o da Esquerda que não destrói hoje o futuro, na ansiedade do protagonismo e dos poderes. É uma frase batida, mas acredito que este caminho só se faz caminhando, com tropeços e recuperar de forças.

Braga não mudou, mas nós estamos aqui.

João Delgado

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