DocLisboa premeia defesa da Linha do Tua criar PDF versão para impressão
26-Out-2009
"Páre, Escute e Olhe", de Jorge Pelicano, venceu a competição nacional do festival Doclisboa 2009. Este documentário mostra como o progressivo encerramento da linha do Tua afectou a região, contribuindo ainda mais para o isolamento e desertificação.

 
"Páre, Escute e Olhe" foi o grande vencedor da 7.ª edição do festival internacional de cinema DocLisboa, com dois prémios na competição portuguesa, Melhor Longa-Metragem e Melhor Montagem, e ainda o Prémio Escolas.

Apresentado como "uma viagem por um Portugal profundo e esquecido, conduzida pela voz soberana de um povo inconformado, maior vítima de promessas incumpridas dos que juraram defender a terra", o filme de Jorge Pelicano arrecadou prémios em dois festivais no mesmo fim de semana. Também a XV edição do Festival Internacional de Cinema Ambiente de Seia o distinguiu com os três principais prémios do festival, as Campânulas de Ouro.



O documentário mostra as promessas dos altos responsáveis políticos desde a década de 80 e como todas elas foram sendo sucessivamente traídas, pelo abandono a que foi votada esta linha que ligava Mirandela a Bragança. Depois do encerramento de metade da linha centenária em 1991, a circulação ferroviária ficou reduzida a uma composição de metro ligeiro. 

Além da contextualização sobre a história e a importância da linha do Tua, a maior parte do documentário mostra a realidade actual nos dois troços da linha: o que ainda funciona e o que está deixado ao abandono. 

"Quinze anos depois, em 2007, no troço desactivado as aldeias estão isoladas e despovoadas. Durante os dois anos de filmagens (2007 a 2009), no troço activo, sucessivos acidentes, o anúncio da barragem, a incúria dos responsáveis na manutenção da linha, marcaram os acontecimentos", diz a apresentação desta segunda obra de Jorge Pelicano, autor do documentário igualmente premiado "Ainda há pastores". "Agora, o comboio que ainda serpenteia por entre fragas do idílico vale do Tua é ameaçado por uma barragem que inundará aquela que é considerada uma das tr|ês mais belas linhas ferroviárias da Europa".

O prémio mais importante da competição internacional do festival foi para "Petition", de Zhao Liang, que narra as viagens dos peticionários que atravessam a China para virem à capital apresentar as suas queixas contra os abusos das autoridades. "October Country", de Michael Palmieri e Donal Mosher, vence o prémio para melhor primeira obra; "Mirages", de Olivier Dury, venceu o prémio para melhor média-metragem; e o da melhor curta estrangeira foi para "10 Min" de Jorge Léon. "The Revolution that Wasn´t", de Aliona Polunina, ganhou o prémio para melhor documentário de investigação.

Na competição nacional, para além dos prémios a "Páre, Escute e Olhe", a melhor curta foi para "Passando à de Zé Marovas", de Aurora Ribeiro, que também escolheu o interior e a desertificação como tema, desta vez na raia alentejana. "Com que Voz", de Nicholas Oulman, venceu o prémio de melhor primeira obra e a menção especial foi para a "Entrevista com Almiro Vilar da Costa", de Sérgio Costa.

  


Trailer do filme:

 
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