Vaticano presta homenagem a Galileu criar PDF versão para impressão
26-Out-2009
Exposição sobre Galileu nos Museus do VaticanoNo âmbito do Ano Internacional da Astronomia, o Vaticano em colaboração com o Instituto Nacional de Astrofísica italiano inaugurou nos Museus do Vaticano uma exposição intitulada "Astronomia e Instrumentos, a herança histórica italiana 400 anos depois de Galileu".
Artigo de Rui Curado Silva, investigador no Departamento de Física da Universidade de Coimbra.

A exposição celebra os 400 anos de observações astronómicas desde as primeiras observações realizadas por Galileu Galilei em 1609. Na exposição foi reservado um espaço dedicado apenas aos instrumentos utilizados por Galileu, entre os quais se encontra o telescópio rudimentar através do qual Galileu realizou as suas primeiras observações do céu. Nesse espaço é exposto também o manuscrito original de "Sidereus Nuncius", o documento onde Galileu registou as suas primeiras descobertas astronómicas.

Esta iniciativa do Vaticano tem um significado muito espacial, dado que a Igreja rejeitou a verificação do modelo heliocêntrico realizada por Galileu, julgando-o num processo conduzido pela Inquisição. Como resultado desse processo Galileu foi forçado a renunciar às suas extraordinárias descobertas no dia 22 de Junho de 1633. Nesse dia, de joelhos, Galileu proferiu as seguintes palavras perante o tribunal:

"Eu, Galileu, filho do falecido Vincenzio Galilei, (...) depois de me ter sido legalmente feita por este Santo Ofício uma injunção no sentido de que deveria abandonar por completo a falsa opinião de que o Sol é o centro do Mundo e imóvel, e de que a Terra não é o centro do Mundo e se move (...) juro que de futuro nunca mais voltarei a dizer ou a afirmar verbalmente ou por escrito alguma coisa capaz de causar similar suspeita contra mim."

Só em 1992 o Vaticano viria a retratar-se sobre o seu erro, quando o Papa João Paulo II qualificou o processo de Galileu como um erro resultante de uma "trágica incompreensão mútua". Sobre esta exposição, o arcebispo Gianfranco Ravasi, responsável máximo do Vaticano pela cultura, declarou que esta é uma ocasião para mostrar a capacidade da Igreja em reconhecer os seus erros.

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