Polícia britânica tem ficheiro com activistas criar PDF versão para impressão
26-Out-2009
Os cartões com caras conhecidas das manifestações são distribuidos à políciaMilhares de pessoas que participaram em protestos na Grã-Bretanha têm os seus dados registados num ficheiro policial. Apesar de nada terem feito de ilegal, são considerados "extremistas domésticos" e as suas fotografias são distribuídas à polícia durante as manifestações, identificados como potenciais desordeiros.

 

O jornal Guardian revelou mais um aspecto da forma como as autoridades policiais britânicas tratam as manifestações.

Na sequência da cimeira do G20 em Londres, onde a acção policial foi muito criticada, o Guardian tem revelado alguns aspectos escondidos da opinião pública, como o da existência deste gigantesco ficheiro com dados dos cidadãos que participam activamente nos protestos cívicos, apelidando-os de "extremistas domésticos".

O Guardian descobriu que este ficheiro e alimentado por equipas policiais cuja rotina é ir a manifestações e recolher dados sobre os presentes. As fichas são detalhadas e a informação é cruzada de forma a obter o máximo conhecimento sobre cada uma destas pessoas.

Por exemplo, no caso de possuírem um automóvel, a sua matrícula é adicionada ao ficheiro. Um dos casos relatados pelo jornal conta a história de um cidadão sem cadastro policial, que foi parado por operações stop mais de 25 vezes depois de ter participado numa pequena manifestação contra a caça.

As entradas e saídas de sessões públicas são devidamente fotografadas pela polícia e as imagens são acrescentadas a cada ficha individual. Mas a acção das unidades de segurança não se fica por aqui. Baseados na informação sobre os activistas, aconselham as empresas na gestão das respostas às campanhas políticas que atingem os seus interesses.

Durante os protestos, a polícia distribui aos agentes cartões com fotografias de pessoas consideradas potenciais desordeiras, porque participam em muitas manifestações. A cara do comediante Mark Thomas, também conhecido pelo activismo contra a indústria de armamento, estava num destes cartões distribuídos numa feira de armas.

"Enquanto era procurado no exterior da feira, estive lá dentro a investigar para um livro sobre o assunto, e descobri quatro empresas a promover ilegalmente equipamentos 'proibidos' de tortura. Mais tarde o assunto foi tema de debate na Câmara dos Comuns, com os deputados a questionarem porque é que as autoridades policiais e alfandegárias não os descobriram. Embora, para sermos justos, nenhum destes equipamentos figurasse no dito cartão", escreve Mark Thomas num artigo intitulado "Porventura eu protesto demais?", publicado igualmente no Guardian.

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