Concerto assinala 20 anos da morte do Zé da Messa criar PDF versão para impressão
30-Out-2009
Cartaz de Nuno Saraiva. Clique para ampliar Na noite de 28 de Outubro de 1989, o país acordava para a violência neonazi. Um bando de cabeças rapadas assassinou José Carvalho, dirigente do PSR e um dos impulsionadores do trabalho antimilitarista do partido. Vinte anos depois, seis bandas rock juntam-se num concerto de homenagem esta sexta-feira em Lisboa.

 

O concerto realiza-se esta sexta-feira a partir das 21h30 na Caixa Económica Operária, em Lisboa, e junta as bandas "Albert Fish", "Ex-Votos", "Dalailume", "Revolta", "Gazua" e "Peste & Sida". Também será apresentado um documentário sobre a vida de José Carvalho, abordando a sua militância política, mas também enquanto membro da Comissão de Trabalhadores da Messa, uma empresa de máquinas de escrever do concelho de Sintra, que encerrou em 1985 e chegou a empregar 1700 pessoas.

Dirigente do PSR desde o fim dos anos 70, José Carvalho foi um dos impulsionadores do trabalho antimilitarista do partido, após ter participado nos SUV - Soldados Unidos Vencerão, um movimento de militares pela democracia nos quartéis constituído em 1975. Doze anos mais tarde, foi um dos responsáveis pela organização dos concertos do bar das Palmeiras, que envolveu dezenas de bandas rock contra o serviço militar obrigatório. Foi num destes concertos que viria a ser assassinado pela extrema-direita.

Nessa altura, a campanha pelo fim do Serviço Militar Obrigatório mobilizava a juventude do partido e lançava o debate na sociedade. "Havia uma campanha antimilitarista que o PSR protagonizava com bastante êxito e que foi a pedra de toque para mostrarmos que estávamos no bom caminho, que tínhamos razão e que a perda do Zé não podia ser em vão", explicou José Falcão, então dirigente do PSR e que mais tarde viria a fundar a associação SOS Racismo. Na sua opinião, foram estes "actos de violência gratuita contra gente que professava outras formas de estar e de pensar" que ajudaram a "reflectir sobre a importância de combater", criando "movimentos sociais e organizações anti-racistas".

Vinte anos depois, a Associação Política Socialista Revolucionária organiza esta festa de homenagem e lança um documentário de 20 minutos sobre o Zé da Messa. "Pensámos numa iniciativa que o homenageasse como militante por tudo o que ele fez durante a vida e que juntasse pessoas que estiveram sobretudo nos últimos anos dele, em que foi muito activo nas campanhas antimilitaristas do PSR, na animação de uma campanha que envolveu grupos de 'rock', a campanha 'Tropa Não'", disse Jorge Costa, um dos organizadores do concerto. "Procurámos fazer um concerto que juntasse grupos que venham dessa história e continuam a fazer rock e a ter ideias de transformação social", acrescentou.

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