Escolas desistem dos calendários de avaliação criar PDF versão para impressão
31-Out-2009
Escolas deixaram de cumprir modelo de avaliação condenado. Foto Paaulete MatosEnquanto na Assembleia da República se prepara o debate sobre a suspensão do modelo de avaliação de professores, em muitas escolas ele já está suspenso de facto, ao não ser programada a avaliação até 2011 como a lei previa. O fim anunciado do modelo levou à dilatação dos prazos ou ao simples incumprimento duma lei derrotada nas ruas e nas urnas.

 

"Não fazia nenhum sentido estar a fazê-lo, quando o mais provável é que este modelo não vá para a frente", disse o director da Secundária do Restelo ao semanário Expresso. Em todo o país, são muita as escolas que decidiram não avançar mais nesta forma de avaliar os docentes introduzida por Maria de Lurdes Rodrigues. Das secundárias do Restelo e Pedro Nunes, em Lisboa, passando por Estremoz, Vila do Conde, Guarda, Quarteira e pelo agrupamento de escolas de Rio Tinto, por exemplo.

"Estou convencido que uma parte significativa das escolas não publicou o calendário da avaliação. É esse o feedback que tenho", disse ao Expresso António Soares, membro do Conselho de Escolas. E mesmo as escolas que publicaram o calendário estão a dilatar todos os prazos para que na prática nada aconteça ao processo de avaliação até haver uma decisão política que materialize o recuo do governo e a derrota da linha seguida pela anterior ministra. Segundo dados recolhidos pela TSF, não confirmados nem desmentidos pelo Ministério da Educação, apenas metade do total de professores foi até agora avaliado segundo o modelo de Maria de Lurdes Rodrigues.

"Avaliámos os professores que tinham mesmo de ser - os contratados e os que podiam mudar de escalão. Em relação aos outros (a maioria), estamos a ir devagar porque a qualquer momento o processo pode vir a ser suspenso", declarou ao Expresso o director da escola Miguel Torga, em Bragança.

A forma como as escolas tomaram em mãos o processo de avaliação depois de obrigadas a fazê-lo é diferente de local para local. Enquanto em Lisboa, a secundária Camões decidiu avaliar toda a gente, incluindo quem não tinha entregue os objectivos, noutros estabelecimentos de ensino foi dada a nota "Bom" a todos os professores, em sinal de contestação a este modelo.

Entretanto, a deputada Cecília Honório criticou o silêncio da nova ministra, "quando as escolas precisam de respostas hoje" e alerta para um negócio PS-CDS por baixo da mesa que pode completar "em glória" a "obra de Maria de Lurdes Rodrigues", ao dar ao director um papel determinante em todo o processo.

"É preciso decência, o que exige um sistema de avaliação que credibilize o trabalho das escolas e dos professores, pensado para o maior desafio da escola pública: o direito de todos e todas ao sucesso com qualidade", conclui a deputada bloquista no artigo de opinião publicado no esquerda.net

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