Morreu António Sérgio, grande divulgador do rock criar PDF versão para impressão
02-Nov-2009
António Sérgio (foto de Rita Carmo/Blitz)O radialista António Sérgio, uma das mais respeitadas vozes da rádio, faleceu na noite de sábado, vítima de um problema cardíaco, aos 59 anos. O homem que queria "incendiar o imaginário dos ouvintes" esteve 40 anos ao serviço da rádio. Divulgou entusiasticamente o novo rock e a música alternativa. O funeral é esta segunda-feira às 15h e o seu corpo vai para o Cemitério dos Prazeres.

Homem da rádio, António Sérgio, de 59 anos, começou em 1968 na Rádio Renascença, seguindo as pisadas do pai, mas foi no final da década de 1970, quando ingressou na Rádio Comercial, que a sua popularidade se consolidou, ajudando a divulgar novos estilos e tendências da música moderna.

Programas como Rotação (de 1977 a 1980), Rolls Rock, Som da Frente (de 1982 a 1993), Lança-Chamas, O Grande Delta (de 1993 a 1997) e A Hora do Lobo, todos na Rádio Comercial, foram a sua imagem de marca na ondas da rádio.

António Sérgio fazia actualmente o programa Viriato 25 da rádio Radar, tendo inclusivamente gravado em estúdio o programa da próxima semana, que será posto no ar tal como previsto, garantiu Luís Montez, um dos proprietários daquela emissora.

Antes de entrar na Radar, em Dezembro de 2007, António Sérgio viu-se envolvido numa polémica na Rádio Comercial, quando a Hora do Lobo, o programa que aí mantinha foi cancelado, decisão que motivou uma onda de reacções e protestos de ouvintes.

"As pessoas que foram responsáveis [pela Comercial] consideraram que a manutenção daquele programa de autor era prestigiante para a rádio, mas agora já não acham", lamentou António Sérgio nessa altura.

Luís Montez, o dono da Radar, qualificou António Sérgio como "um mestre da rádio, uma referência" ou o "John Peel português". Montez afirmou ainda que o radialista era um exemplo de trabalho e dedicação e "estava sempre preocupado com os ouvintes".

Já João David Nunes, um dos fundadores da Rádio Comercial e que levou António Sérgio para a emissora da Rua Sampaio Pina, na década de 1970, disse hoje que o radialista deixa uma "marca indelével" na rádio portuguesa.

Numa entrevista ao Blitz em 2007, António Sérgio disse: “Uma das funções da rádio é espalhar magia: nós não temos cara, temos vozes, e isso ajuda a incendiar o imaginário dos ouvintes. E esta rádio de hoje, coitada, não incendeia absolutamente nada. Põe o ouvinte a um canto e diz-lhe: ouve isto, que não te maça, não te assusta, não te provoca, não te faz comprar discos.”

 

O velório realizou-se a partir das 18 horas de domingo na Basílica da Estrela, em Lisboa e o funeral, para o Cemitério dos Prazeres, realiza-se segunda-feira, depois da missa de corpo presente, às 15 horas.

Alguns comentários à morte de António Sérgio

Adolfo Luxúria Canibal
"António Sérgio sempre foi uma referência. Era a referência de quando eu era adolescente, de quando o rádio era o instrumento por excelência. As memórias são muitas. Fazia parte do meu crescimento musical.
Pessoalmente deixa-me muito boas memórias".

Rodrigo Leão, fundador dos Sétima Legião e dos Madredeus
"Era uma pessoa fantástica, talvez uma das primeiras pessoas que eu conheci da rádio. Foi há 28 anos, quando editámos o primeiro disco da Sétima Legião."Era uma pessoa que já não via há muitos, mas acompanhava sempre os seus programas de rádio, ultimamente ouvia-o na rádio Radar".

Álvaro Covões, promotor de espectáculos, Co-proprietário da Rádio Radar
"Deixa um vazio na rádio portuguesa, porque ele era o último grande radialista vivo. "Vai ser um bocado estranho como vai ser o futuro da rádio sem uma pessoa como o António Sérgio. É uma perda muito grande. A melhor homenagem que lhe podemos fazer é continuar a ouvir a música que ele nos deu a conhecer".

 

Joaquim Paulo, da Waymedia.
"Era sempre um prazer falar com ele, porque era uma pessoa que amava a música e falava sempre entusiasticamente. "A memória mais forte que tenho é que comecei a ouvir rádio a ouvir António Sérgio. Lembro-me de ter 15 anos e ouvir o 'Rotação'.É uma grande parte da minha formação musical na altura e parte dos meus hábitos musicais".

Zé Pedro, guitarrista dos Xutos e Pontapés,
"António Sérgio é um grande divulgador de música e um mestre da rádio e do conhecimento musical. Lembro-me de seguir e gravar programas dele para descobrir bandas e, algumas vezes, cheguei a ligar-lhe para a cabine a perguntar que banda era aquela que ele estava a passar".

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