Moçambique: Frelimo amplia domínio criar PDF versão para impressão
03-Nov-2009
Armando Guebuza vence com mais de 70%A contagem dos votos ainda não terminou, mas já é possível confirmar a vitória esmagadora do actual presidente moçambicano, Armando Guebuza, nas eleições realizadas no passado dia 27 em Moçambique. Com 90% do escrutínio feito, o candidato da Frelimo tem 76,3% dos votos, seguido do líder da Renamo, Afonso Dhlakama, com 14,9%, e do dirigente do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), Daviz Simango, com 8,8%.

Guebuza conseguiu assim ampliar a sua votação, já que há cinco anos obteve 63,7% dos votos. Ao mesmo tempo, Dhlakama tem uma forte queda - em 2004 conseguira 31,74%, caindo agora para menos de metade. A Renamo foi muito castigada pela cisão protagonizada por Daviz Simango, que depois de romper com aquele partido de oposição fundou o MDM e conseguiu 8,8% na primeira vez que foi a votos.

Segundo o eurodeputado Miguel Portas, do Bloco de Esquerda, que fez parte da missão de observadores da União Europeia, "nas cidades, a ascensão de Simango é meteórica, o que é um excelente sinal para o processo democrático em Moçambique." Simango é o actual presidente da Câmara da cidade da Beira.

Quanto às legislativas, realizadas simultaneamente com as presidenciais e as provinciais, a Frelimo assume a liderança com 71% dos votos, deixando muito para trás os seus dois principais rivais.

Segundo as projecções da organização não-governamental Centro de Integridade Pública e da Associação dos Parlamentares Europeus para a África, a Frelimo deverá conseguir 194 deputados, mais 34 dos que tinha na anterior legislatura. Por sua vez, a Renamo deverá eleger 48 deputados (perde 42 lugares), e o MDM, que só conseguiu concorrer em quatro dos 13 círculos eleitorais, oito. Se o MDM tivesse podido concorrer em todo o país deveria eleger mais nove deputados.

Segundo Miguel Portas, os resultados expressam a vontade do povo. "Fez-se grande alarido pelo facto de o MDM ter sido excluído de vários círculos, mas isso não foi decisivo. A grande desigualdade em favor da Frelimo é a que decorre de ser um partido-estado, e do financiamento privado das campanhas, que a beneficia."

A Comissão Eleitoral divulgará os resultados definitivos no próximo dia 12.

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