Rohde: prolongamento do lay-off e salários em risco criar PDF versão para impressão
03-Nov-2009
trabalhadora da rohde em frente de cartaz da empresa que diz que é proibido fazer reuniões. foto de Paulete MatosA administração judicial da fábrica de calçado Rohde comunicou a decisão do prolongar o lay-off até dia 20 de Novembro, alegando a falta de encomendas. São 984 trabalhadores que recebem esta notícia após o regresso de já dois meses de suspensão do contrato de trabalho. A direcção fabril apenas encontrou tarefas para cerca de 80 funcionários e diz não poder garantir o pagamento da sua parte dos salários (30%) deste mês.

Fernanda Moreira, dirigente do Sindicato dos Operários da Indústria do Calçado, Malas e Afins dos Distritos de Aveiro e Coimbra adiantou à Lusa que "A outra má notícia do dia é que os salários de Novembro não estão garantidos".

Na reunião desta segunda-feira, entre representantes sindicais e administração, a Rohde comunicou não ter meios financeiros para pagar os 30% dos salários de Novembro que lhe cabem no âmbito do lay-off (os restantes 70% deverão ser suportados pela Segurança Social). O Ministério da Economia foi oficiado pelo Sindicato dos Trabalhadores do Calçado a indagar "se haverá possibilidades de garantir o salário deste mês". Na realidade, os rendimentos do próximo mês destes quase mil trabalhadores estão definitivamente nas mãos do Governo, uma vez que se não for garantida por este a parte do salário devida à empresa, a Segurança Social também não pagará a sua parte.

Domingos Leite, advogado da empresa, garantiu ao Diário Económico que a Rohde está em negociações com o secretário de Estado do Trabalho, Fernando Medina, para encontrar soluções para assegurar o pagamento dos salários. A Rohde está ainda a tentar negociar um prolongamento do lay-off por mais quatro meses, mas o Governo considera que é "bastante tempo", disse Domingos Leite.

Para dia 20 está agendada uma assembleia de credores que poderá ser decisiva para o futuro da empresa de Santa Maria da Feira, a maior empregadora do sector do calçado da região que está sob gestão judicial após pedido de insolvência feito no passado mês de Setembro. Aguarda-se o plano de viabilização económica que mantenha a fábrica em funcionamento e salve os muitos postos de trabalho em risco.

A Rohde chegou a empregar 2700 pessoas mas hoje concentra apenas cerca de 1000 postos de trabalho que na sua maioria são ocupados por mulheres. Este é o número actual que tem vindo a decrescer à custa de sucessivos despedimentos, o último ocorreu em 2008 e colocou 200 pessoas no desemprego.

A Rohde ainda é hoje uma das maiores empregadoras do país na indústria do calçado. Está a ser administrada por três procuradores em Portugal e um gestor judicial alemão, nomeado por altura da falência da empresa-mãe, em Março de 2007. O investidor que ficou com a Rohde Alemã, e que era apontado como possível comprador da filial de Santa Maria da Feira, acabou por não concretizar o negócio, não havendo até agora mais ninguém que mostrasse interesse na filial.

Enquanto a Rohde espera o seu plano de viabilização económica, os trabalhadores mantêm o seu futuro suspenso e agora também os seus salários. Este é o cenário que se repete em muitas outras empresas neste sector cujos processos de insolvência suspendem contratos, salários e as vidas de muitos trabalhadores ou lhes oferecem a certeza do desemprego.

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