A queda de Berlusconi criar PDF versão para impressão
22-Dez-2006

berlusconiA vitória foi tangencial. Silvio Berlusconi, que sucedera a Prodi no governo em 2001, deixa-lhe de novo o lugar de primeiro-ministro. Em 9 de Abril, o povo de esquerda respira de alívio com o fim do consulado bushista e predador da direita radical.
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A aliança de centro-esquerda reúne grandes expectativas, mas também grandes ambiguidades programáticas. E a polémica à esquerda começa cedo. Berlusconi já dera ordem de retirada do Iraque, mas Prodi compromete-se com a NATO na continuação da ocupação do Afeganistão. A Refundação Comunista (PRC), presente no governo e com a presidência do parlamento a cargo do seu líder, Fausto Bertinotti, reage mal às primeiras medidas. Deputados e senadores da sua ala esquerda - bem como de outros partidos da coligação - assumem as críticas e mesmo o voto contrário. Mais recentemente, com a discussão do orçamento de Estado para 2007, a esquerda da coligação engole novas amarguras: cortes nas despesas regionais, novas taxas moderadoras na saúde, redução da carga fiscal sobre as empresas, aumento de 11% das despesas militares com recurso a fundos da previdência.

Seguro por uma ampla aliança de curta maioria, Prodi aplica-se agora numa difícil acrobacia: governar de acordo com a estratégia dos interesses mais fortes da União Europeia e da NATO, dependendo do apoio de forças políticas, como o PRC, que têm representado aspirações discriminadas na sociedade italiana e potentes movimentos pela paz e por justiça social. Já há quase dez anos, Prodi tentou essa proeza pela primeira vez. O resultado foi a ruptura da sua maioria e a chegada de Berlusconi ao poder.

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 À esquerda, o lado machista de Berlusconi que tanto casa com a sua faceta populista; à direita, o rap de Prodi e de Bertinotti no Parlamento.

 
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