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07-Nov-2009
O checkpoint charlie, principal travessia do MuroPor mais de 28 anos, o Muro de Berlim foi o símbolo da divisão das duas Alemanhas. A fortaleza estendia-se por 155 quilómetros e separava Berlim Ocidental de Berlim Oriental. Muito maior era a fronteira inter-alemã, isto é, entre a República Federal da Alemanha (RFA) e a República Democrática Alemã (RDA), de regime comunista. Ela somava 1400 quilómetros, indo da baía de Lübeck, no norte, até Hof, no sul, na fronteira com a Checoslováquia.

Somente na região metropolitana de Berlim, o Muro tinha mais de 43 quilómetros de comprimento. Ao longo de seu percurso na cidade, ele interrompia oito linhas de comboios urbanos, quatro de metro e 193 ruas e avenidas. Na sua extensão, o "gigante de betão" atravessava 24 quilómetros de rios e cruzava 30 quilómetros de bosques.

A fronteira de Berlim, cujas instalações incluíam o muro, era controlada 24 horas por dia. Soldados armados, em mais de 300 torres de observação, vigiavam constantemente para evitar fugas para Berlim Ocidental. A área da fronteira tinha 100 metros de largura, com diversos tipos de obstáculos. Esse território era conhecido como "faixa da morte".

Muitos tentaram atravessar o muro apesar do perigo de vida. Nos 28 anos que o Muro ficou de pé, houve 5075 fugas bem-sucedidas. Os estratagemas usados foram os mais diversos: túneis através da cidade, veículos pequenos que passassem debaixo das traves, camiões pesados para arrebentar os obstáculos, barcos, ultraleves, balões e aviões improvisados. Também houve quem fugisse de comboio, ou simplesmente confiasse em documentos falsificados e veículos preparados para esconder pessoas, obtidos graças à ajuda de grupos da RFA que se dedicavam a organizar a fuga de alemães do Leste.

O Muro de Berlim, propriamente dito, tinha mais de 100 quilómetros e até 4,20m de altura em alguns trechos. Uma segunda fortificação foi construída posteriormente. Ao seu redor foi demarcada uma faixa de segurança, também conhecida como faixa da morte, que chegava a ter cem metros de largura. Ali se encontravam cerca de 300 torres de vigilância, 20 bunkers (instalações antiaéreas subterrâneas), 260 canis e inúmeros postes com holofotes. Os soldados receberam ordem de atirar e impedir qualquer fuga "usando todos os recursos disponíveis".

Por trás do Muro, de quatro metros de altura, havia uma segunda barreira, cercas com alarme e trincheiras profundas anti-veículos. Holofotes, cães e minas completavam o esquema de segurança que fazia do muro uma fortaleza praticamente inexpugnável.

A sua manutenção era muito cara aos cofres da República Democrática Alemã, representando um constante ónus económico. Isto sem falar nos gastos com a construção. Foram gastos 870 milhões de marcos para erguer o gigante de betão e demais instalações da fronteira.

Com a construção do Muro, o código penal da RDA ficou mais severo para garantir a fronteira. A tentativa de fuga passou a ser crime. Os desertores eram considerados "traidores da pátria". No primeiro semestre de 1961, foi aberto inquérito contra 4400 pessoas que tentaram cruzar a fronteira. Seis meses depois, 18.300 foram condenadas por tentativa de fuga e passaram anos nas prisões.

Apesar do risco de morte, muitos cidadãos da RDA não desistiram de escapar para o Ocidente. O site "Crónica do Muro", criado por instituições ligadas ao governo alemão, conseguiu confirmar 136 casos de morte ocorridas em tentativas de travessia do Muro. A ONG Treze de Agosto regista 1065 vítimas (dados de 2004) do Muro e da fronteira inter-alemã. AONG considerou também aqueles que não morreram necessariamente através de tiros dos soldados, mas foram indirectamente afectados, como por exemplo, os que se suicidaram ao verem descobertos seus planos de fuga.

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