Rui Rio extingue pelouros da Cultura e Educação no Porto criar PDF versão para impressão
26-Out-2009

Pedro FigueiredoRui Rio extingue Cultura e Educação no Porto? Não é possível. Dito assim só pode ser mentira!
Mentira! Sim, pois claro que é mentira! Em verdade o título de ontem dizia "Rui Rio extingue os pelouros da Cultura e da Educação".

E dirão as boas línguas:
"Claro que esses sectores terão outro nome e enquadramento, a acção da Câmara nestas áreas não acabará com certeza".

E responderão as más línguas:
"Mas também não é isso que vem ao acaso: o que importa é a morte anunciada, induzida e conseguida até certo ponto (este ponto) da cultura e da educação no Porto. A cidade de Camilo e de Garrett, de Nasoni, de Siza, etc., etc..."

E dirão as línguas em geral e eu próprio em particular:
"Existe hoje no Porto um clima de crispação falso, induzido, maniqueísta, que criou um falso antagonismo entre suposto Povo e supostas Elites. Tudo criado artificialmente nos mandatos de Rui Rio".

Há um suposto Povo, que, como no tempo de Nero, quererá Circo (sem pão, vá): aviõezinhos, carrinhos de choque, teatro de revista, lazer em geral.

Há umas supostas elites ligadas à Esquerda em geral, às candidaturas da oposição em particular e ao Porto 2001 de todos nós (o "tenebroso Porto 2001") que quer desperdiçar dinheiros públicos em Cultura.

Extingam-se portanto os pelouros que não interessa.
O suposto Povo votou. Foi ouvido. Está votado.

Amanhã mesmo quando virem as fogueiras que ardem na Praça da "Liberdade" frente à Câmara, das duas uma, ou foi mais um prédio que ardeu no casco histórico, ou igualmente provável serão os novos autos de fé a queimar livros.

Mas as boas línguas voltarão a atacar:"Como é possível (doutor) Rui Rio, homem de finíssima educação em qualidade técnica e rigores, antigo aluno de colégio privado portanto?"

As más línguas contra-atacam:
Ainda esta semana, no gabinete onde trabalho, um colega meu, igualmente com  curso superior, dizia escandalizado enquanto na rádio passava a música que versa "...pra te levar ao concerto que havia no Rivoli-i...": "Rui Veloso? Esse gajo? Ele e o Pedro Abrunhosa estão agora banidos. Fogo! Eles apoiaram a Elisa Ferreira..."

Para quem não acredita, é assim medievalmente inacreditável o tal clima de crispação induzido pelo (doutor) Rui Rio.

Supostas elites/suposto Povo.
Apoiado pelas supostas elites da Foz e da Boavista, as supostas elites do dinheiro contra as supostas elites da cultura.
Andamos de suposição em suposição quando a cidade física e intelectual morre de verdade.
Educação em colégio estrangeiro, (doutor) Rui Rio?

Os povos bárbaros ainda ontem tinham capacetes com cornos e mocas de picos, e hoje já andam de Mercedes e BMW.

É verdade, muito se evoluiu.

Dizem as más línguas, novamente:
"O Povo do Porto foi enganado!"

E as boas línguas outra vez:
"Mas é a Democracia. Ganha quem tem mais votos"

E eu digo:
"Se eu tivesse a magnífica revista municipal de propaganda que é distribuída pelas caixas do Correio também eu enganava o Povo e ganhava as eleições..."
Até a mim a revistinha chegou a convencer em tempos de ingenuidade e distracção. Jdanov e Goebbels, os da propaganda eficaz, voltem, estão perdoados!
Mas fiquem lá com os vossos Mercedes e BMWs.

Devolvam-nos a Cultura e a Educação. Com ou sem pelouro.
Usaremos os vossos capacetes com cornos e mocas de picos para fazer a Revolução nas ruas do Porto! É o fim das línguas. Boas ou más.

Pedro Figueiredo, arquitecto, participante regular em vários activismos: FERVE, Mercado do Bolhão, Mercado do Bom Sucesso, pela Linha do Tua.

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