Não passarão! criar PDF versão para impressão
29-Out-2009

Carlos CarujoA 28 de Outubro de 1989 a morte saiu à rua. José Carvalho, dirigente do Partido Socialista Revolucionário, foi assassinado por um bando de skinheads neo-nazis. Passados 20 anos, fica a homenagem ao militante de tantas causas: dos direitos dos soldados, no movimento "Soldados Unidos Vencerão", dos direitos dos/as trabalhadores/as, na Comissão de Trabalhadores da fábrica Messa, do anti-militarismo no movimento "Tropa Não" e de muitas outras.

Passados 20 anos, fica a mesma recusa do legado de violência dos movimentos neo-nazis em Portugal como no mundo. Afinal, nas várias formas de fascismo ressoa sempre como lema profundo o "viva a morte" dos franquistas. Mesmo quando se quer esconder esta essência por razões tácticas: apesar de uma nova geração da extrema-direita aparentar ser diferente, de alguns terem trocado o visual das carecas pelo fato e gravata, continua a matriz de ódio, intolerância e violência que é a sua razão de ser. O suposto nacionalismo que lhes enche a boca não é bastante para conseguir esconder a sua raiva pela diferença e pelo outro.

Passados 20 anos, é preciso também não nos reduzirmos ao optimismo histórico simplista que diz de cada vez que isso é coisa do passado. Hoje, aí estão traços da extrema-direita em tantos discursos respeitáveis. Hoje, aí estão movimentos fascistas ou pós-fascistas em governos também eles respeitáveis da Europa "civilizada". Hoje, aí estão os mesmos ingredientes de sempre que alimentam a intolerância: a crise económica e a pobreza, a exclusão e as violências urbanas, o discurso fácil dos bodes expiatórios e o racismo latente. Por isso, contra o "viva a morte" explícito ou escondido mas com o rabo de fora destes movimentos é preciso repetir, ontem, hoje e sempre, não passarão!

Carlos Carujo

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