Palavras, actos e omissões criar PDF versão para impressão
05-Nov-2009

Moisés FerreiraÀs eleições autárquicas sucedeu-se o período das tomadas de posse e dos discursos de ocasião dos novos (em muitos casos, dos mesmos) presidentes de Câmara. Entre as palavras dos discursos e os actos dos mandatos vai uma grande distância; se a isto acrescentarmos a omissão q.b., o que sobra em demasia é a demagogia.

 

No Porto, no seu discurso de tomada de posse, Rui Rio elegeu como prioridade do seu mandato o combate ao desemprego. Isto numa das únicas autarquias do país que não criou um Gabinete de Inserção Profissional ou qualquer gabinete de apoio ao desempregado e cujo Executivo sempre voltou costas ao problema do desemprego, achando que não é da sua responsabilidade. Isto numa autarquia que se recusou a colocar em prática um plano anti-crise proposto pelo Bloco que apoiava e ajudava, em vários aspectos da vida, casais com cônjuges no desemprego. Isto numa autarquia que promove a precariedade, e não o emprego efectivo, junto dos professores que contrata para as Actividades de Enriquecimento Curricular.

Também Castro Almeida - vice do PSD e vice-presidente da Grande Área Metropolitana do Porto - elegeu prioridades e ‘enviou farpas' no seu discurso de tomada de posse em S. João da Madeira...

Uma das farpas enviadas: ‘que é preciso mudar a lei das finanças locais, pois não é possível nem sustentável que as autarquias continuem a promover a construção'. Este discurso é caixa de ressonância de um outro que Rui Rio fez aquando de um colóquio sobre Fiscalidade e Autarquias, e até mereceria o nosso aplauso não fosse estar tão desfasado dos actos destes autarcas.

Só nos últimos 4 anos, o Executivo de Rui Rio licenciou milhares de novas construções. Ao invés, todas as iniciativas públicas de habitação foram interrompidas e a SRU apenas reabilitou um prédio. Também Castro Almeida representou a continuidade da construção e da especulação e nada reabilitou; pelo contrário, demoliu muitas das casas não habitadas, e não é difícil imaginar o que irá ser construído nesses terrenos que agora vagaram, muitos deles no centro da cidade...

As palavras e os actos são os pólos opostos de quem, querendo agradar a gregos e troianos, a uns satisfaz com palavras, a outros enche com actos. Mas só uns ficam a ganhar, e as palavras da tomada de posse tendem a ficar a marinar durante anos.

Mas não basta preocuparmo-nos apenas com as palavras e com os actos. Enquanto munícipes devemos estar bem atentos às omissões dos discursos e às omissões dos programas eleitorais. Depois de Rui Rio ter utilizado tantas vezes a expressão ‘interesse público' no seu discurso, a privatização do Palácio de Cristal ou do Bom Sucesso não deixa de ser uma realidade que está a ser posta em marcha. Apenas foi omitida!

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