Uma ferida aberta chamada Afeganistão criar PDF versão para impressão
10-Nov-2009
Carla LuísNo Afeganistão vive-se uma situação sem precedentes: a ONU está a evacuar centenas dos seus funcionários da missão. Embora recuse o nome forte de "retirada", na verdade é quase isso que se está a passar.

O staff internacional está a ser retirado e não há uma noção concreta de quando vai poder voltar.

A ONU, ainda assim, afirma que não cessa o seu trabalho na região: o staff local continua a desenvolver o trabalho humanitário. O que leva a uma outra questão, que se aproxima do centro do debate: que vai ser dos afegãos que estão neste momento a trabalhar com a ONU? Que se passará no Afeganistão depois de uma retirada desta envergadura - e, sobretudo, do sinal que ela envia...

Acima de tudo, reina uma grande dúvida sobre o futuro do país: o que se está verdadeiramente a passar? Será o Afeganistão, no fundo, mais um Estado inviável, onde tudo se passa em pequenas guerras pela conquista e repartição do poder? O que se esconde - e se desenrolou, desde 2001 - na lógica de controlo da guerra e da produção de ópio?

As razões que levaram à desistência de Abdullah Abdullah à segunda volta das eleições não ficaram de todo claras. Que se terá passado entre Abdullah e Karzai para que o primeiro desistisse? Será o Afeganistão mais um país onde, sempre que parece que tudo vai explodir, algum sentido ínvio de controlo interno impede que isso aconteça?

A questão é que nada disto é claro. Clara nunca foi a posição oficial da ONU sobre as eleições e agora tudo isto está a ameaçar (e já vitimou) o trabalho de toda a missão. Uma má decisão pode ter arruinado o que estava a ser feito no terreno - e cortado as hipóteses futuras do muito mais que está por fazer.

Como dizia alguém "Há tanta gente aqui que não merece que os abandonemos". Que será o Afeganistão depois desta retirada? Assistiremos a um novo avanço dos Talibans, ou pior, de simples grupos rebeldes? Que irá Karzai fazer, que alianças e com quem?

No meio da missão da ONU reina neste momento a total incerteza. Se e quando vão voltar ao Afeganistão, a memória das eleições, a memória de um país que todos dizem fascinante. Sobretudo o lamento por tudo o que fica por fazer. E a questão essencial: mas foi para isto que tanta gente morreu?

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