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Como a crise continua e as perspectivas
de luz ao fundo do túnel são ainda muitíssimo ténues, tão ténues
que nem se vislumbram, é necessário encontrar formas de procurar
minimizar os problemas resultantes, nomeadamente, das centenas de
milhares de desempregados.
Artigo do nosso leitor José Ferreira dos Santos
Evidentemente que é necessário
alargar o âmbito do subsidio de desemprego àqueles que se encontram
efectivamente sem trabalho.
Evidentemente que é indispensável
assegurar a sobrevivência dos trabalhadores , a quem a crise, criada
pelo capital financeiro na sua deriva de casino, deixou sem acesso ao
trabalho.
Não partilhamos a opinião dos que
consideram que quem está inscrito nos centros de emprego, não quer
trabalhar e vive de subsídios, por sua livre iniciativa.
Nem daqueles para quem os que os
subsídios, visando a reinserção social, criam, apenas, maus
hábitos e falta de vontade de trabalhar, como de forma populista e
mentirosa é afirmado por "políticos" que melhor fariam em
explicar as situações de financiamentos "estranhos" e de
corrupção em aquisições em que se encontram mergulhados.
Em Portugal, vivemos em crise há
muitos anos e até começa a ser redundante falar em crise. Seria
melhor pensar em ultrapassar as barreiras que se nos apresentam e
agarrar o futuro nas nossas próprias mãos .
Em Matosinhos, apesar das afirmações
"oficiais" em contrário, temos um aumento do desemprego
equivalente ao do resto do país.
Dos nossos contactos com as populações
apercebemo-nos de que com alguns pequenos investimentos seria
possível criar postos de trabalho duradouros e produtivos.
Torna-se necessário estimular e apoiar
a energia criativa das pessoas.
A chamada economia social pode
constituir uma saída válida para o desemprego, encarada de forma
séria e sempre apoiada tecnicamente para ter viabilidade.
A constituição de cooperativas de
prestação dos mais diversos serviços que possam facilitar a vida
aos que exercem uma profissão como seja: serviços domésticos,
acompanhamento de idosos nas suas casas, fornecimento de refeições
em cantinas , entre outros carecem de alguma formação e de
investimento não muito vultuoso.
Mesmo no caso de algumas empresas que
entram em falência e que os trabalhadores consideram viáveis seria
de encarar a possibilidade de, com apoio técnico eficiente, e algum
investimento de as transformar em cooperativas.
Porquê não? Os custos sociais não
serão maiores com estas pessoas desempregadas?
A situação das pescas é reconhecida
como calamitosa. Os barcos que tinham alguma viabilidade para
assegurar as capturas no alto mar foram desactivados e os armadores
receberam os respectivos subsídios. Em troca, apareceram os pequenos
barcos de pesca artesanal, com motores a gasolina, que tornam as idas
ao mar caras e extremamente perigosas, pela precariedade das
embarcações .
Por outro lado as vendas, em lota, do
pescado capturado não corresponde ao mínimo do valor que
justifique o trabalho, no entanto a venda ao público não deixa de
ser muitíssimo superior. Sabe-se que, por vezes, em 200 metros de
distância entre a lota e o comprador, o preço do pescado
quadruplica. Quem embolsa este lucro?
Sabemos que os pescadores nunca foram
muito incentivados a criar condições para que a distribuição do
pescado lhes pertencesse. A exemplo do que acontece em tantas zonas
da vizinha Galiza seria de começar a pensar em assegurar a venda do
pescado pelas organizações dos próprios pescadores. Para tal é
necessário formação, apoio técnico e algum investimento e o
estabelecimento de rede de contacto com aqueles que praticam essa
forma de trabalho.
Medidas simples ou complexas como
estas, acompanhadas de melhoria nas condições de segurança, como o
tão prometido porto de abrigo em Angeiras, poderiam incentivar
muitos jovens a procurar esta alternativa de trabalho.
Ouçamos os interessados e estamos
crentes de que encontraríamos formas de reactivar as pescas dando
aos pescadores possibilidades de uma vida mais digna e de um futuro
mais promissor.
O nosso papel deverá ser o de tentar
fazer chegar estas e outras propostas a quem as quiser ouvir. As
únicas promessas são as de nos mantermos abertos a todos os debates
em torno destas questões.
O que não é admissível é continuar
com recursos desaproveitados e mantendo uma atitude passiva e de
lamúrias.
José Ferreira dos Santos, Membro da Assembleia Municipal de
Matosinhos pelo Bloco de Esquerda
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