Alternativas à crise? (II) criar PDF versão para impressão
03-Dez-2009

Na continuação do meu texto da semana passada e da afirmação expressa de que é mais vantajoso, do ponto de vista da economia e muito mais interessante do ponto de vista social, subsidiar o emprego e a sua manutenção ao invés de, apenas, subsidiar o desemprego, vou tentar dar mais alguns exemplos de formas que ajudariam a combater a crise e consequentemente evitar o desemprego.

Artigo do nosso leitor José Ferreira dos Santos

A atribuição da reforma aos trabalhadores com 40 anos de contribuições para a Segurança Social, para além da justeza da medida, era uma forma de libertar muitas centenas de postos de trabalho para outros trabalhadores mais jovens.

A diminuição da jornada de trabalho contribuiria, igualmente, para aumentar a distribuição do trabalho existente por um maior numero de trabalhadores.

Apostar na criação de reais condições de apoio a pequenas e médias empresas visando a manutenção e até o aumento de postos de trabalho.

Atendendo às condições privilegiadas do nosso país em termos de solo e de clima para a produção agrícola de qualidade, nomeadamente de agricultura biológica, criar condições para o apoio técnico e financeiro aos pequenos agricultores, visando incentivar a produção de bens alimentares e a sua distribuição com melhor acesso ao mercado interno e externo, contribuindo para a fixação dos jovens na agricultura, oferecendo-lhes condições de vida dignas e apelativas.

Dir-me-ão que os custos de tais medidas são incomportáveis na situação económica com que o país se debate.

É claro que tais medidas implicam um aumento de despesa, por via dos subsídios a atribuir para as levar à prática.

Para as Finanças Públicas os "lay off", os subsídios de desemprego, a queda de impostos decorrente da paralisação e fecho de tantas empresas não contam?

Os gravíssimos problemas sociais provocados pelo desemprego e exclusão social que lhe está associada ficam espantosamente mais caros à sociedade do que os possíveis custos da implementação de medidas como estas.

De qualquer modo, por exemplo a Caixa Geral de Depósitos, o banco do Estado, já gastou com as falências bancárias, só com o BPN, 4.000 milhões de Euros. Falta saber o que custará, ao bolso dos contribuintes a famigerada nacionalização do BPP.

Só para estas "despesas", sem recuperação social , é que não há falta de dinheiro ?

Os bancos privados continua, apesar da crise a vangloriar-se dos fantásticos lucros que obtêm. Não admira, as taxas dos impostos que pagam são muito mais baixas do que as que oneram os magros lucros de qualquer mercearia de bairro.

Porque não investir parte desses fabulosos lucros em fundos para minimizar o custo da crise que, em parte , foi produzida pela cupidez dos financeiros e da sua economia de casino.

Em nome da solidariedade, porque não criar um imposto sobre as grandes fortunas que ajude a ultrapassar esta situação? Tal proposta nem é muito original, pois impostos deste tipo existem mesmo na Europa mais liberal e nos Estados Unidos.

Faz falta é alguma coragem política e a assunção de politicas realmente viradas para a resolução dos problemas reais dos cidadãos e não, apenas, visando satisfazer as elites poderosas.

Nessas medidas não cabe, por certo, escolher pessoas como o Snr. Van Zeller, até há bem pouco tempo patrão dos patrões, para conselheiro do Ministro "Socialista" da Economia.

Necessitamos em Portugal de governantes que não se preocupem, apenas, com o pós- governo e com uma futura carreira em empresas, que apadrinharam enquanto mandatários dos eleitores para exercer o poder.

As pessoas não podem estar ao serviço da economia, deve ser a economia a estar ao serviço das pessoas.

José Ferreira dos Santos, membro da Assembleia Municipal de Matosinhos pelo Bloco de Esquerda

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