Primeiro-ministro mentiroso criar PDF versão para impressão
24-Dez-2006
hungrialusa060920Durante os meses de Setembro e Outubro, a Hungria foi palco dos maiores distúrbios desde o fim do regime comunista em 1989. A crise foi despoletada pela emissão na rádio pública de uma gravação onde o primeiro-ministro Ferenc Gyurcsany admitia ter mentido ao país na campanha para as eleições legislativas de Abril, que viria a ganhar confortavelmente.

«Fizemos merda. Ninguém na Europa fez disparates semelhantes. É evidente que mentimos ao longo dos últimos 18 meses. (...) Não fizemos nada durante quatro anos. Não podem citar uma única medida de que possamos orgulhar-nos, excepto o facto de termos saído da merda no fim», eis algumas das palavras de Gyurcsany num encontro à porta fechada do seu grupo parlamentar, um mês depois da vitória eleitoral.

Em causa estava a ocultação à opinião pública dos verdadeiros valores do défice que atingiram os 10,1% do PIB. Só depois das eleições de Abril é que o Partido Socialista no poder anunciou a execução de um plano de austeridade que indignou o país. O plano prevê milhares de despedimentos, aumentos de impostos, cortes nas despesas sociais, aumento do IVA de 15 para 20% e forte subida dos preços dos produtos energéticos.

Pouco depois de o país ter tido conhecimento da mentira do primeiro-ministro ocorreram manifestações durante cinco dias seguidos, atingindo um pico de 20.000 pessoas em frente ao parlamento. Houve inúmeros distúrbios que resultaram em cerca de 220 feridos (metade eram polícias). Na altura, o Partido Socialista acusou a presença de forças de extrema-direita que terão estado na origem dos principais incidentes.

No dia 27 de Setembro, Ferenc Gyurcsany pediu pela primeira vez desculpas ao país: «Pensamos que a coragem de fazer as coisas é mais importante do que falar nelas (...) Estou desolado». Dois dias antes, a Comissão Europeias tinha dado luz verde às medidas do programa de convergência até 2009.

No dia 1 de Outubro, o Partido Socialista, coligado com os liberais, sofreu uma pesada derrota nas eleições municipais (37,7% contra 52,6% da direita). A direita húngara conquistou 16 das 23 principais cidades, tendo a coligação governamental conseguido manter Budapeste à tangente.

No final de Outubro, durante as comemorações dos 50 anos da revolução húngara, uma manifestação de cerca de 3000 pessoas voltou a provocar distúrbios, contabilizando-se 167 feridos.

O primeiro-ministro húngaro, considerado o 50º homem mais rico da Hungria, conseguiu manter-se no poder e esteve presente no congresso do Partido Socialista Europeu, realizado em Dezembro no Porto, com José Sócrates como anfitrião.
 
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