China: 20 anos após Tianamnen, agravam-se as tensões étnicas criar PDF versão para impressão
21-Dez-2009
Foto DPerstin/FlickrA China passou a líder mundial das exportações no primeiro semestre de 2009, mas o ano que lembrou o 20º aniversário do massacre de Tiananmen ficou marcado pela repressão sobre opositores e minorias étnicas.

 

A Amnistia Internacional revelou em Março os dados sobre as execuções de condenados à morte no mundo inteiro, e a China é responsável por 72% do total. Dois meses depois, nas vésperas do 20º aniversário do massacre da Praça de Tiananmen, o governo chinês reforçou a censura na utilização da internet, bloqueando os acessos ao Twitter, Flickr e Hotmail, após ter feito o mesmo em relação ao youtube e ao blogger.

A meio do ano a economia chinesa recebeu boas notícias, após ultrapassar por escassa margem a Alemanha e tornar-se pela primeira vez líder mundial de exportações no primeiro semestre do ano.

Em Julho, a tensão na província de Xinjiang, no extremo-oeste da China,  entre a comunidade Uigur e a comunidade Han (maioritária na China, mas não na provícia) deu lugar a manifestações e à repressão. Os incidentes foram motivados por uma reacção à repressão policial sobre manifestantes que protestavam contra o assassinato de operários uigures numa fábrica do sul da China. Os confrontos alastraram-se, sucedendo-se episódios de violência e pilhagem entre as duas comunidades.

O governo admitiu a morte de cerca de 200 pessoas nos confrontos, embora os representantes uigures apontem para 800 vítimas mortais nos dias seguintes às manifestações. Quando estalou a crise, o presidente chinês estava a caminho da cimeira do G8 em Itália, tendo regressado a Pequim sem participar na reunião.

A tensão não desapareceu e em Setembro, o governo substituiu o chefe da polícia e o responsável do Partido na capital da província, Urumqi, na sequência de uma onda de boatos acerca de supostos ataques protagonizados por uigures contra os han, armados de seringas infectadas.

Os julgamentos dos envolvidos nos confrontos deu lugar a mais de dez condenações à morte - sobretudos aos acusados uigures -, com as organizações de direitos humanos a dizerem que os julgamentos foram "uma farsa". Entrevistado pelo órgão de imprensa do PCP, um membro do Comité Central do Partido Comunista Chinês afirmou que os tumultos de Xinjiang foram "exemplos da acção imperialista para conter e dividir a China".



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