Xenofobia na Europa criar PDF versão para impressão
21-Dez-2009
Foto EPAO resultado do referendo suíço a proibir a construção de minaretes foi um dos sinais mais visíveis do regresso da xenofobia aos países europeus. Mas a perseguição aos imigrantes foi reforçada na lei de outros países.

 

Com 57% dos votos expressos, os suíços aprovaram a proibição da construção das torres nas mesquitas. Apesar de só existirem quatro minaretes construídos em todo o país, o tema foi aproveitado pela extrema-direita para explorar os medos da sociedade em relação aos estrangeiros, dirigindo-os em especial aos imigrantes originários de países com forte presença da religião islâmica. "O mais doloroso não é a proibição dos minaretes, mas a mensagem transmitida por esta votação", afirmou Farhad Afshar, coordenador das Organizações Islâmicas na Suíça. A comprovar esse sentimento, durante a campanha várias mesquitas foram vandalizadas.

O ano de 2009 começou com o anúncio do recorde francês de expulsão de imigrantes. Em Paris, o ministro da imigração, Brice Hortefeux, mostrou-se orgulhoso em Janeiro por ter ultrapassado o objectivo de expulsão de 26 mil imigrantes indocumentados, definido por Sarkozy para o ano anterior.

A criação do "delito de solidariedade", como nos tempos da ocupação nazi, também continuou a gerar polémica na política francesa. A criminalização dos que dão auxílio aos imigrantes indocumentados revoltou uma parte importante da sociedade e gerou mesmo um movimento de autarcas, como o luso-francês Hermano Ruivo, na defesa da regularização dos imigrantes "sem papéis".

Do outro lado do canal, os trabalhadores de uma refinaria entraram em protesto em Fevereiro contra a contratação de imigrantes italianos e portugueses, vindos dos países de origem para trabalharem mais horas por menos dinheiro. A greve por "Empregos britânicos para trabalhadores britânicos" chamou a atenção da opinião pública europeia e foi aproveitada pela extrema-direita do BNP para multiplicar a propaganda racista e xenófoba.

A violência xenófoba abalou a Irlanda do Norte em Junho, quando vinte famílias ciganas oriundas da Roménia foram atacadas com garrafas e pedras, após serem alvo de provocações racistas durante vários dias. No total, 115 pessoas tiveram de procurar refúgio numa igreja de Belfast.

No Sul da Europa, Berlusconi não quis deixar os seus créditos por mãos alheias e fez aprovar uma lei que criminaliza a imigração ilegal, proposta pela xenófoba Liga Norte. O objectivo assumido foi o de prender os 650 mil imigrantes ilegais que permaneçam em Itália, embora até Berlusconi tenha consciência que a concretizar-se esse objectivo, vários sectores da economia paralisariam por completo. Meses antes da aprovação desta lei, os 900 imigrantes detidos em Lampedusa revoltaram-se contra as condições deste Centro de Expulsão e as políticas anti-imigração do governo italiano. Muitos estavam em greve de fome há vários dias.

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