Cimeira de Copenhaga acaba em fracasso criar PDF versão para impressão
21-Dez-2009
Ban Ki-Moon e Lars Rasmussen encerraram a cimeira fracassada de Copenhaga. Foto Nações UnidasAo fim de dois anos de negociações, os países reunidos em Copenhaga não conseguiram o tão esperado acordo. Numa manobra de última hora, Obama reuniu as assinaturas de 28 países num texto que não define metas nem é vinculativo para ninguém. A cimeira expulsou algumas ONG presentes e a polícia dinamarquesa reprimiu as acções de rua dos activistas ambientais. Mas não conseguiu impedir que cem mil pessoas se juntassem na maior manifestação de sempre pela justiça climática.

 

"A cidade de Copenhaga é hoje o lugar do crime climático, com os culpados a fugir envergonhadamente para o aeroporto", declarou a ONG Greenpeace, referindo-se à maioria dos 120 líderes mundiais presentes na cimeira, que abandonaram a conferência antes que o acordo fosse aprovado em plenário. Para Jeremy Hobbs, director executivo da Oxfam International, "o acordo é um triunfo da propaganda sobre a substância. Reconhece a necessidade de manter o aquecimento global abaixo dos 2 graus, mas não se compromete quanto a forma de o levar a cabo".

"Os líderes falharam em conseguir um verdadeiro acordo como prometido. Ignoraram a ciência e guiaram-se por interesses nacionais. Estamos perante um atraso com muitos custos, que podem ser medidos em vidas humanas e em dinheiro perdido", afirmou por seu lado a Quercus em comunicado.

A eurodeputada Marisa Matias, que integrou a delegação do Parlamento Europeu em Copenhaga, lamentou que no fim da cimeira haja "um acordo pior, mais pobre, nada clarificado" e com um financiamento que "ficou aquém do desejado" sem "capacidade de definir metas". Em suma, "uma enorme contradição em relação aos objectivos iniciais da conferência", diz a eurodeputada bloquista que critica a atitude da União Europeia durante a cimeira: "A posição que teve foi de mera observadora do processo, nunca intervindo de uma forma clara e efectiva e sem nunca definir um movimento global".

O texto que foi preparado em reuniões entre os EUA, China, Índia, África do Sul e Brasil acabou por não recolher o apoio dos 193 países presentes na cimeira. Os países do G77 contestaram o facto de mais uma vez terem sido postos de lado nas negociações aqueles que mais sofrem com as alterações climáticas e as críticas vieram também da América latina. "Vão aprovar um golpe de estado contra as Nações Unidas", disse o porta-voz do governo venezuelano, enquanto o representante da Bolívia declarou que "este acordo na sombra é um documento que não expressa os quase dois anos de discussão". Já o delegado cubano preferiu chamar a atenção dos presentes para o facto de "há quatro horas atrás que o presidente Obama anunciou um acordo que não existe".

À falta de unanimidade para aprovar o texto desenhado pelos 26 países escolhidos pela presidência dinamarquesa, a presidência da cimeira foi obrigada a recuar durante a madrugada, anunciando de manhã que a cimeira simplesmente "toma nota" deste texto. Daqui a seis meses há novo encontro marcado para Bona, que servirá para preparar a próxima cimeira no México, onde supostamente se definirão as metas de redução de emissões de gases de efeito de estufa.

 


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