Revolta muçulmana contra as caricaturas de Maomé criar PDF versão para impressão
26-Dez-2006

cartoonsmaomesiriaEm Fevereiro, ocorreram centenas de manifestações das comunidades muçulmanas em todo o mundo, muitas das quais violentas, contra a publicação de cartoons com a figura de Maomé.
A polémica remonta a Setembro de 2005, quando o jornal dinamarquês jyllands-Posten publicou 12 caricaturas do profeta, incluindo uma que mostrava Maomé com um turbante em forma de bomba. Para a religião muçulmana, é interdito representar graficamente o profeta do Islão.
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Mas foi a 10 de Janeiro, com a republicação dos cartoons pela revista norueguesa cristã Magazinet, que o conflito assumiu proporções maiores, ultrapassando as fronteiras da Dinamarca. Do Norte de África à região do Golfo, milhares de manifestantes queimaram bandeiras dinamarquesas, as brigadas dos Mártires de Al-Aqsa fizeram um ultimato a todos os trabalhadores escandinavos para que abandonassem a Faixa de Gaza, e a Líbia encerrou a sua representação diplomática na Dinamarca.

A 1 de Fevereiro, vários jornais alemães, franceses, italianos e espanhóis, exibiram as caricaturas do profeta Maomé, provocando mais ondas de revolta e contestação. As embaixadas da Noruega e da Dinamarca foram incendiadas em Damasco (Síria). Um dia depois, era a vez de a embaixada dinamarquesa em Beirute ser vítima da ira dos manifestantes, o que provocou o apelo das autoridades dinamarquesas à saída de todos os seus cidadãos do Líbano. O primeiro-ministro dinamarquês, Anders Rasmussen, afirmou que «A liberdade de expressão é uma das bases da democracia dinamarquesa. O Governo não pode influenciar as decisões dos média privados»

As primeiras vítimas mortais da crise dos cartoons aconteceram a 6 de Fevereiro, quando o conflito se estendeu aos continentes africano e asiático. No dia seguinte, instalações da NATO no Afeganistão, com predominância de soldados noruegueses e finlandeses, foram atacadas, com um saldo de 21 feridos.

A Dinamarca encerrou ainda as suas embaixadas na Tunísia, Irão, Indonésia e Paquistão. A meio do mês de Fevereiro, um ministro Italiano do governo Berlusconi (Roberto Calderoli) foi demitido na sequência do ataque ao consulado italiano na Líbia que provocou 11 mortos e 3 feridos. O Ministro tinha dias antes exibido uma T-Shirt com uma das caricaturas num programa da estação televisiva RAI.

Em Portugal, o então Ministro dos Negócios Estrangeiros (MNE), Freitas do Amaral, emitiu um comunicado em que atacava a publicação dos cartoons e não condenava a violência dos protestos. «A liberdade sem limites não é liberdade, é licenciosidade» e «a liberdade religiosa [consagra] o direito de ver respeitados os símbolos fundamentais da religião que se professa» foram algumas das declarações que criaram polémica. No dia 9 de Fevereiro, o parlamento aprovou três votos de protesto contra os ataques à liberdade de expressão, apresentados pelo PS, CDS e BE.

Refira-se ainda que o jornal dinamarquês, de extrema direita, que publicou pela primeira vez os cartoons, foi o mesmo que rejeitou a publicação de caricaturas de Jesus Cristo, em Abril de 2003. Na altura o editor Jens kaiser justificou-se, dizendo: «Os leitores do Jyllands-Posten não os vão apreciar. Entendo que podem provocar protestos».

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 À esquerda, líder da comunidade muçulmana nos EUA explica a sua posição sobre as caricaturas de Maomé e a questão de liberdade de expressão; à direita, manifestação contra as caricaturas em Aman, Jordânia.

 
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