Alegado atentado em Londres criar PDF versão para impressão
26-Dez-2006

plotCentenas de voos foram cancelados em Londres, na sequência de informações que davam conta da preparação de um mega atentado. No dia 10 de Agosto o Mundo voltou a acordar sob a ameaça terrorista e os constrangimentos nos aeroportos estenderam-se a dezenas de países. Mais de 400 mil pessoas foram afectadas, devido a medias excepcionais de segurança e ao adiamento de voos. O aeroporto de Heathrow foi mesmo encerrado na noite anterior. Na Grã Bretanha pairou o espectro dos atentados de 7 de Julho de 2005.

Segundo a Scotland Yard foi «abortado um plano terrorista que visava cometer um assassínio em massa e que era dirigido a 10 voos do reino Unido para os EUA». «Acreditamos que os terroristas pretendiam esconder explosivos no interior dos aviões em bagagens de mão e fazê-los detonar no decurso dos voos», precisou Paul Stephenson. As autoridades calculam que poderiam ter morrido entre 3 a 4 mil pessoas.

No seu rancho, Bush disse que o plano terrorista desmascarado revela que os EUA e o Reino Unido «estão em guerra contra os islamitas fascistas». Por outro lado, Keith Burnet, do Royal Institute of International Affairs, declarou que «a operação serviu para garantir que os serviços de segurança estão a trabalhar bem», depois de uma série de falsos alarmes de atentados.

Uma semana depois do sucedido, a União Europeia reunia de emergência para anunciar novas medidas de segurança nos aeroportos, pressupondo a hipótese de se recorrer à leitura digital da íris ou ao estudo detalhado das impressões digitais de todos os passageiros.

Quinze dias depois da suposta tentativa de atentado terrorista, 11 suspeitos foram acusados, 5 libertados, permanecendo os restantes sob investigação. Entretanto, segundo o The Guardian o governo Britânico preparava-se para recuperar a legislação que permite manter um suspeito de terrorismo detido por pelo menos 90 dias, sem que haja acusação. A actual legislação, aprovada depois dos atentados de 2005, já prevê que os suspeitos possam ficar detidos sem culpa formada durante 28 dias.

Na altura em que os suspeitos foram acusados, porém, as dúvidas em relação a todo o caso acumulavam-se. A alegação de que o ataque era "iminente" demonstrou-se falsa. Nenhum dos acusados tinha feito reservas em voos e muito menos comprado bilhetes de avião; muitos dos acusados nem passaporte tinham. Aparentemente, apenas um dos acusados tinha verificado disponibilidades de voos na Internet. Nenhum deles possuía qualquer bomba. Uma fonte oficial reconheceu ao New York Times de 28 de Agosto que os acusados tencionavam destruir 10 a 12 aviões era "especulativa e exagerada". Alegações de que havia uma ligação paquistanesa entre os acusados e a Al Qaida logo se evaporaram. A possibilidade de fabricar bombas nas casas de banho dos aviões juntando líquidos domésticos foi posta de lado por peritos em química.

Gareth Pierce, advogado de defesa de um acusado de 17 anos disse ao Chicago Tribune de 31 de Agosto que as alegadas provas encontradas na casa da mãe do rapaz, entre elas um mapa do Asfeganistão, notas suicidas e esquemas eléctricos de bombas foram mal interpretadas. As pretensas "notas suicidas" tinham sido escritas quando o rapaz tinha seis anos, e na verdade pertenciam ao pai que tinha servido pelas tropas da NATO na Bósnia. O mapa era um desenho de criança. E o manual de bomba, mesmo que fosse sério, nada tinha a ver com "bombas líquidas".

A Associated Press de 4 de Setembro disse que o Ministério Público britânico não tinha intenção de levar o caso a tribunal antes de Março de 2008. Até lá, os acusados vão continuar presos e os detalhes do caso mantidos em segredo.

 

 
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