PCP reafirma ataques contra Bloco criar PDF versão para impressão
14-Jan-2010
Passadas as eleições, a direcção do PCP não esconde o que realmente pensa do BlocoEm cinco páginas na sua revista teórica, o PCP regressa às acusações do seu último Congresso contra o Bloco de Esquerda.

 

Depois de um Congresso onde o ataque ao Bloco de Esquerda foi o prato forte, as campanhas eleitorais esfriaram as críticas dos principais dirigentes, com Jerónimo de Sousa a repetir o lamento pela “dificuldade objectiva, que é perceber o que é e o que quer o Bloco”. No entanto, não foi essa a intervenção do PCP na última campanha eleitoral, em que praticamente deixou de atacar o Bloco.

Em contrapartida, a última edição da revista teórica do PCP dedica cinco páginas ao texto assinado por Margarida Botelho, da Comissão Política, intitulado "Algumas notas sobre o Bloco de Esquerda" onde se reafirma a linha aprovada no Congresso de Novembro de 2008, contendo violentos ataques ao Bloco. A dirigente comunista conclui que as posições do Bloco "não permitem que façamos outra análise sobre o BE senão a que aprovámos no XVIII Congresso do Partido".

O artigo é claro ao mostrar o que a direcção comunista pensa do Bloco de Esquerda: "Se ideologicamente o BE tem um carácter social-democratizante, na sua intervenção revela todos os dias tiques esquerdistas: a fraseologia radical, o oportunismo", "o parasitar de acções que outros promovem", "o pseudo-radicalismo", "o divisionismo e o golpismo".

A defesa da paridade e da estratégia que levou à despenalização do aborto com a vitória no referendo continuam a ser rejeitadas pela direcção comunista, que as considera como os exemplos e as provas das «crescentes cumplicidades e alinhamentos com a agenda política do PS».

A acusação de "deliberado apoio dos grandes grupos económicos" que estaria na origem da "boa imprensa de que o BE habitualmente goza" volta a ser aqui formulada pela dirigente comunista, reafirmando as teses aprovadas no congresso do Campo Pequeno.

O "anticomunismo" volta também a ser usado na caracterização da política bloquista pelo PCP. "O BE tem alinhado sempre nas campanhas, caricaturas e calúnias anti-comunistas sobre o posicionamento internacionalista do PCP. É assim sobre a China, o Tibete, Cuba, ou mais recentemente sobre o muro de Berlim, com acusações de vários dirigentes sobre o suposto apoio do PCP a «ditaduras»", escreve Margarida Botelho, antes de recorrer a algumas citações de Álvaro Cunhal escritas em 1970 para ajudar a "encontrar os motivos pelos quais o BE é tão frequente e abertamente anti-comunista. A explicação está para lá da mera táctica de diminuir um concorrente eleitoral. Tem raízes num posicionamento ideológico e de classe", conclui a antiga deputada do PCP.

As repetidas críticas do Bloco aos acordos do PCP com a direita nas autarquias merecem também resposta neste texto. Não passam de "calúnias alimentadas acerca da política de unidade da CDU nos executivos autárquicos, usando argumentos dignos de quem defende os chamados executivos monocolores", diz Margarida Botelho.

Como ocorre na maioria dos textos publicados nos órgãos de imprensa do PCP quando o tema é o Bloco, os alvos dos principais ataques acabam por ser os bloquistas que participaram em campanhas ou militaram do PCP durante anos. Miguel Portas, Daniel Oliveira e João Teixeira Lopes são visados por terem condenado "os incidentes envolvendo Vital Moreira" no 1º de Maio da CGTP, "apressando-se a atribuí-los ao PCP", o que é falso. António Chora é outro alvo de ataques, e o artigo lembra também a entrevista em que o líder da CT da Autoeuropa recordou os tempos "quando estava no PCP e todas as sextas-feiras tinha de ir à sede receber instruções para apresentar na segunda-feira" aos trabalhadores.

"Atacar eleitoralmente a CDU e o PCP tornou-se uma obsessão do BE e de todos quantos vêem no Partido o maior obstáculo à política de direita", diz Margarida Botelho, sem no entanto explicar porque é que o Bloco reforçou a sua votação ou tem uma presença social importante. Curiosamente, ao contrário das teses aprovadas no Congresso, as divergências sobre a construção europeia são praticamente ignoradas pela dirigente comunista.

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