Orçamento: Governo continua a negociar com PSD criar PDF versão para impressão
24-Jan-2010
Sócrates com Ferreira Leite no encontro entre o PSD e o governo - foto da LusaFerreira Leite diz que recebeu "muito boas indicações" do governo, mas deixou em suspenso o sentido de voto do PSD, enquanto Paulo Portas anunciou a abstenção do CDS. Louçã critica "pântano orçamental".

No final do encontro de Sábado entre Manuela Ferreira Leite e José Sócrates, a líder do PSD declarou que o seu partido mantém "absoluta disponibilidade" para viabilizar o Orçamento do Estado. Na reunião, em que participaram também António Borges e Aguiar Branco, pelo lado do PSD, e os ministros Teixeira dos Santos e Jorge Lacão, pelo governo, foi marcado novo encontro, para este Domingo, para que o PSD verifique de que modo o Governo pretende "inverter a trajectória de endividamento do país", não só das contas públicas como da dívida externa, e se existe um "plano de médio prazo" que corresponda a esse objectivo.

O ministro das Finanças declarou que o governo "regista com agrado a abertura do PSD em viabilizar o Orçamento de Estado para 2010" e "está plenamente aberto" em "poder fornecer ao PSD a informação necessária e em concreto" quanto às medidas de contenção orçamental pedidas por Ferreira Leite.

Neste Domingo à saída da reunião com o ministro das Finanças, Manuela Ferreira Leite não revelou como vai votar o Orçamento de Estado para 2010, deixando a decisão dependente do texto concreto que o governo apresentar. Mas Ferreira Leite ficou agradada com as propostas avançadas pelo ministro das Finanças, que irão no sentido que o PSD exige. O CDS/PP anunciou que se absterá.

Entretanto, Cavaco Silva declarou à comunicaçãos social, que tem acompanhado as negociações "com muito interesse", esperando que se chegue "a um final feliz", salientando que era importante que o Orçamento de Estado "fosse aprovado de forma positiva".

Já para Francisco Louçã " a confusão orçamental substituiu a clareza das respostas". O deputado bloquista considerou, no final da reunião da mesa nacional do Bloco de Esquerda (leia também a notícia do esquerda.net: Bloco confirma apoio a Manuel Alegre ), que "ao recusar o alargamento do subsídio de desemprego, ao recusar um imposto mínimo sobre as mais-valias bolsistas, ao recusar combater a especulação, ao aliar-se à direita que protege esta política económica e a desgraça social que ela representa, o Governo de Sócrates mostrou que pretende um Orçamento que deixe tudo na mesma" e, acrescentou, "deixar tudo na mesma é promover esta confusão enorme que é um pântano orçamental que, um pouco à semelhança do queijo Limiano há alguns anos atrás, vai impôr as vantagens e negociações de vários partidos contra o interesse da responsabilidade que deveria ser a resposta à crise".

O coordenador da comissão política do Bloco defendeu ainda:

"Queremos um Orçamento de clarificação, de respostas, de alternativas, e um bom Orçamento é aquele que começa por responder ao desemprego, à dificuldade da vida dos trabalhadores mais pobres e à injustiça que atinge as vítimas desta crise, esse seria um bom Orçamento".

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