O opaco preço da liberalização financeira criar PDF versão para impressão
07-Fev-2010
Operadores na Bolsa de Chicago Foto de artemuestra / FlickrNo momento em que os Estados se endividam na tentativa de resolver os problemas criados, em parte, pelas agências de rating, estas cortam, ou ameaçam cortar, a sua notação, dificultando a resposta à crise. É preciso desacreditar estas empresas e substitui-las por agências públicas internacionais, sem fins lucrativos, cujos modelos de avaliação sejam transparentes.
Por Nuno Teles em Ladrões de Bicicletas

Mesmo depois de uma humilhante visita de Teixeira dos Santos à sede da agência de notação Standard and Poors em Londres - onde foi dar explicações sobre as nossas finanças públicas - aStandard and Poors cortou a avaliação (rating) do crédito do Estado português. Como estas agências são entendidas como a melhor fonte de informação sobre a capacidade de estados e empresas em pagarem as suas dívidas, esta redução traduzir-se-á num aumento do custo (taxa de juro) da dívida pública nacional. Vai ser mais caro ao Estado português endividar-se nos mercados internacionais.

É, no entanto, incrível que estas agências continuem a ser tomados como credíveis, detendo assim um tal poder sobre os Estados. Como denuncia o economista político Gerald Epstein, agências como a Standard and Poors foram directamente responsáveis pela actual crise financeira. Ao atribuírem avaliações muito positivas ao títulos baseados em hipotecas, hoje considerados “lixo tóxico”, permitiram que os bancos disseminassem tais produtos por todo o mundo. Os títulos eram comprados por serem aparentemente seguros graças ao rating. Por outro lado, vale a pena lembrar também que os seus lucros serão tão maiores como a quantidade de produtos e títulos a avaliar (por pior que seja a informação disponível). Existe aqui um claro problema de incentivos.

No momento em que os Estados se endividam na tentativa de resolver os problemas criados, em parte, por estas agências, estas cortam, ou ameaçam cortar, a sua notação, dificultando a resposta à crise. Ora, como Epstein defende tal corte não é lógico. Se é certo que o crescente endividamento poderia fazer recear uma menor capacidade de pagamento, só através dos actuais planos maciços de investimento público podem os Estados garantir a prosperidade futura necessária ao pagamento futuro da dívida. É preciso, pois, desacreditar estas empresas e substitui-las por agências públicas internacionais, sem fins lucrativos, cujos modelos de avaliação sejam transparentes.

Artigo publicado em Janeiro de 2009

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