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06-Jan-2007

OS PERIGOS TECNOLÓGICOS


Este filme de ficção sobre o Google fala-nos sobre o desaparecimento dos jornais e das tecnologias e empresas da Net que condenaram o papel escrito. O filme data de 2015 e é uma narrativa baseada em tecnologias que estão a aparecer nos dias de hoje. Para pensar o impacto da tecnologia, colocamos dois artigos: um do Abrupto, sobre a democratização e perda de conteúdo racional da net e um texto do Agreste Avena, que alerta sobre as tecnologias de Big Brother que permitem monitorizar os nossos hábitos e guardar centenas de informações sobre nós, sem o nosso conhecimento e controle.

 

 

Pacheco Pereira Insurge-se contra a passagem do escrito para o visto nos blogs e na net: “O You Tube ajudou-nos a “nós” a ficar na imagem do espelho da “pessoa do ano” na revista Time. Os milhões de visionamentos de vídeos do You Tube suscitaram de novo as glórias utópicas da Rede, feita por todos para todos, gratuita e desinteressadamente. Mas o You Tube é um sinal de outras coisas: de uma Rede que cada vez mais vai deixar de ser “escrita” e “lida”, para passar a ser “vista”. É natural que assim seja, é a vista, o sentido da visão que mais em nós manda, quanto mais nós somos “nós”. Já foi assim cá fora com a televisão, será assim lá dentro: a imagem será mais importante que a palavra, quanto maior for o número de pessoas que constitua o “nós” da Rede. No fundo, o You Tube é só um sinal percursor”.

No Agreste Avena escreve-se sobre os espinhos do admirável mundo novo da Internet. "Primeiro vi este filme, uma ficção sobre como o Google vai acabar com os jornais (cheguei lá através deste post do António Figueira no 5dias). Depois uma amiga minha que tem uma conta Gmail diz-me que a publicidade na coluna ao lado da janela onde lê e-mail é escolhida em função do conteúdo da própria mensagem. Quando recebe mensagem que fala de Biologia Molecular a publicidade é a produtos de Biologia Molecular, a probabilidade de as duas coisas acontecerem simultaneamente por mera coincidência é ínfima, é mais que provável que o Gmail tenha um algoritmo que lê as mensagens de e-mail e afixa a publicidade em função do que lê.

Agora aparece uma nova função, o Google Desktop Search. Vale a pena ler com atenção este relatório (em Francês) do CERTES, um organismo governamental francês de combate aos ataques informáticos. Vale a pena sobretudo ler o ponto 3, sobre as ameaças potenciais do uso desta nova função. Por exemplo os ficheiros indexados (e-mail, chats, páginas de internet visitadas, ficheiros Word, etc...) são copiados para um cache, e as cópias são guardadas, mesmo após a destruição do ficheiro original. Se a função for utilizada em multiposto os dados podem ser enviados para um servidor do Google. Os hábitos de navegação também são transmitidos ao Google e podem eventualmente ser fornecidos a terceiros. Em certas condições outros utilizadores podem ter acesso e pesquisar os ficheiros indexados. Mesmo os ficheiros Office protegidos por password e as páginas de internet seguras (https) podem ser partilhadas, a não ser que o utilizador defina especificamente que estes ficheiros não sejam indexados pelo GDS. E isto é apenas um resumo. A Dell entretanto assinou um acordo com o Google, e os novos computadores já são vendidos com o GDS.

É por essas e por outras que eu não gosto de cookies, e desconfio daqueles sites que insistem na instalação de cookies para poderem funcionar. A minha esperança é que seja demasiada informação para ser gerida, talvez ao tentar saber tudo sobre todos não consigam descobrir nada sobre ninguém".

 

 
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