A Ministra mudou, os problemas conservam-se criar PDF versão para impressão
08-Fev-2010
As questões estruturantes da educação em Portugal continuam a ser exorbitantemente dissimuladas e permanecem sem soluções aparentes, aliás, nem sequer discutidas.
Artigo do nosso leitor Filipe Pardal

A Ministra da Educação mudou, muitos dizem que para melhor. Porém as questões estruturantes da educação em Portugal continuam a ser exorbitantemente dissimuladas e permanecem sem soluções aparentes, aliás, nem sequer discutidas. O PS continua a ter um comportamento desviante, que já vem dos últimos quatro anos de governação. Já não vou aludir para o facto de que a posição social e cultural das famílias dos jovens continua a ser um grave condicionante no percurso escolar dos mesmos, aliás condicionante na obtenção de sucesso ou insucesso.

A gratuitidade escolar (que iria permitir uma verdadeira democratização do nosso ensino) parece ter sido completamente esquecida; não existe o mínimo esforço do Ministério para criar bolsas de empréstimo, o que iria permitir que os manuais escolares se reutilizassem e se tornassem realmente num instrumento de ensino gratuito. Apesar deste desleixo do Governo, a esperança pode habitar no poder local, já que este tem a autonomia necessária para conseguir executar esta funcionalidade com alguma eficiência, embora numa escala inferior quando comparada com uma possível bolsa de empréstimo nacional.

Esquecida também parece estar a introdução efectiva de norte a sul do país da Educação Sexual. A escola precisa de uma oferta social consistente e só assim poderá ter uma maior qualidade. Já é tempo para se defender a introdução de uma orientação vocacional bem estruturada e que mais importante, que seja para todos!

Continuam a entrar jovens no ensino superior todos os anos que não têm condições para tal. Chega de facilitismo, chega de trabalhar para números e estatísticas. A escola serve para formar e não para permitir a progressão de alunos que não sabem ler nem escrever com lucidez aceitável. Isto acontece, isto deteriora o país.

A simpatia de Isabel Alçada na negociação com os Professores é só uma pequena parte do problema da educação no nosso país... Não pense que nós, cidadãos, vamos ficar satisfeitos por um mero conjunto de falsas modéstias que já superou a antiga ministra (isto não é nenhum motivo de alegria). Olhe para o que realmente interessa, olhe para as realidades do nosso país que o Ministério tende a desprezar.

Filipe Pardal, Aljustrel

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