Afeganistão: ofensiva da NATO já matou 12 civis criar PDF versão para impressão
15-Fev-2010
Soldado britânico no Afeganistão, durante a Operação Mushtarak da Nato. Foto Lusa/ EPA. Pelo menos 12 civis morreram este domingo, no Afeganistão, depois de dois rockets que visavam insurrectos talibãs em Marjah terem falhado o alvo “em 200 metros”, reconheceu a NATO.

 

A operação da NATO vinha a ser anunciada como uma das maiores de sempre e na região tentou-se fazer sair os civis afegãos de modo a deixar o território “livre”. Trata-se de um distrito a leste de Marjah que soldados britânicos e afegãos tentam controlar, desde que começou, no sábado, a maior ofensiva aérea e terrestre da NATO desde 2001.

A operação envolve um total de 15 mil homens (4400 dos quais afegãos), a maior participação de sempre, de acordo com a estratégia definida pelo comandante da ISAF (forças de seguranças afegãs), o general (norte-americano) Stanley McChrystal, para evitar que só as tropas estrangeiras sejam objecto de fúria popular no caso de se registar um número elevado de baixas civis.

A Isaf especifica, no seu comunicado, citado pela AFP, que os rockets foram lançados “a partir de um HIMARS” (sigla inglesa de High Mobility Artillery Rocket System), ou sistema de artilharia móvel, montado sobre um camião. O objectivo era neutralizar os talibãs que, a partir de um edifício, atacavam uma equipa conjunta da Aliança Atlântica e do exército afegão. Ficaram feridos um soldado afegão e outro da Isaf.

Um comunicado acrescenta que o general norte-americano Stanley McChrystal, comandante da Isaf, já contactou o Presidente afegão, Hamid Karzai, para lamentar este “acidente infeliz”, no segundo dia da Operação Mushtark.

A Isaf especifica, no seu comunicado, citado pela AFP, que os rockets foram lançados “a partir de um HIMARS” (sigla inglesa de High Mobility Artillery Rocket System), ou sistema de artilharia móvel, montado sobre um camião. O objectivo era neutralizar os taliban que, a partir de um edifício, atacavam uma equipa conjunta da Aliança Atlântica e do exército afegão. Ficaram também feridos um soldado afegão e outro da Isaf.

Minutos depois surgiu um comunicado de Hamid Karzai (presidente do Afeganistão) a lastimar a morte de doze civis de uma mesma família, vítimas da explosão de um rocket sobre a sua casa em Nad Ali.

No sábado, um militar britânico e um americano morreram no decurso da ofensiva em Marjah e, no domingo, um outro elemento da Isaf, cuja nacionalidade se desconhece, foi morto na explosão de uma bomba artesanal, também no Sul.

Quanto tempo poderá demorar até retirar aos taliban o controlo de uma região que se tornou num centro de logística da insurreição e parte de uma rede de contrabando de ópio? “Provavelmente, vamos precisar de uns 30 dias”, disse Nicholson, citado pela Sky News. “Estou mais do que cautelosamente optimista de que, talvez, consigamos antes disso.”

O chefe de Estado-Maior das Forças Armadas dos EUA, almirante Mike Mullen, alertou que, embora a ofensiva tenha começado bem, “é muito difícil prever quando vai acabar”. Em declarações feitas durante uma visita a Israel, acrescentou: “Do ponto de vista de planeamento, estimámos que [a operação] iria durar algumas semanas, mas não tenho a certeza.”

"Os Estados Unidos não têm qualquer interesse em ocupar o Afeganistão. Mas também não temos a intenção de abandonar o Afeganistão", salientou Hillary Clinton, que intervinha no Fórum Mundial Islão/Estados Unidos, reunido em Doha nos EUA, este domingo.

"Quando as forças internacionais deixarem o Afeganistão, a nossa presença civil far-se-á sentir para que seja estabelecida uma parceria de longo prazo entre o Afeganistão, os Estados Unidos e os outros países", acrescentou, frisando que Washington "não abandonará" depois da segurança estar assegurada.

Em Londres, o general britânico Gordon Messenger, fez também um balanço positivo, ao salientar que tudo “está a decorrer conforme os planos”, e que os tiros esporádicos “não impedem a missão de avançar”.

As forças internacionais da NATO lançaram a na noite de sexta-feira para sábado no sul do Afeganistão, a maior ofensiva da NATO desde o derrube do regime talibã em 2001.

Segundo um primeiro balanço oficial, 27 talibãs e dois soldados das forças internacionais morreram desde o início do grande assalto militar na província afegã de Helmand.

O objectivo desta campanha militar é estrangular o único núcleo significativo que os talibãs controlam por completo na zona de Marjah e consolidar a presença das forças internacionais e afegãs ao longo do rio Helmand, em redor do qual se aglomeram a população e os campos de cultivo.

Tanto em Helmand como em todo o eixo Sul/Este afegão predomina a etnia pashtun, a que pertencem os talibãs.

Um grupo de 40 militares nacionais partiu esta segunda-feira, em voo militar, para o Afeganistão, disse à Lusa uma fonte do Estado-Maior do Exército.

O contingente militar português vai assumir no Afeganistão a função de "Força de Reação Rápida" (QRF - Quick Reaction Force), à semelhança do que o Exército nacional assegurou, naquele mesmo teatro, entre 2006 e o verão de 2008, e ficará instalado em Camp Warehouse, a poucos quilómetros da capital do Afeganistão, Cabul.

Os Comandos vão "projectar uma companhia de manobra" para território Afegão, com um módulo de apoio e de serviços, em que se integra uma "equipa de controlo aéreo avançado", com o respectivo apoio de combate, no total de 164 homens, concluiu o comandante das tropas Comandos.

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